Sim. Estamos diante de uma geração que nasceu com wifi. Isso é fato. E isso não vai mudar. Não é uma tendência. Estamos falando de algo instalado. Veja nós adultos como ficamos sem 48h de whatsapp. Então, como fazer pra não continuar brincando com os meios digitais e, ao mesmo tempo, conseguir humanizar esse canal de comunicação entre eles? Parece impossível, mas é um caminho.

 

A empresa de pesquisa de mercado Officina Sophia soltou uma primeira parte de um estudo chamado A Voz das Crianças, em que entrevistou 1000 crianças, na faixa etária de 7 a 12 anos, entre meninos e meninas, e todas acompanhadas de um adulto responsável. O estudo foi feito em toda extensão do país, sem deixar escapar áreas do norte que acabam, muitas vezes, sendo “esquecidas”.

 

O estudo mostra que o mundo digital é deles. Nada que ainda não soubéssemos, mas quando uma pesquisa confirma que 50% das crianças têm celular com internet e 74% possuem um computador próprio são dados reais de que estamos diante de outra geração e que precisamos aprender a nos comunicar com ela. E da forma dela. É preciso encontrar meios para fortalecer, e humanizar, esses canais de comunicação. Porque, definitivamente, o celular é o maior meio de comunicação que eles têm em mãos. Primeiro, via WhatsApp, depois via redes sociais. Aqui um alerta, porque 42% têm Facebook. Isso significa que, mesmo sendo um ambiente proibido para menores, os pais permitem que as crianças burlem o sistema e façam os cadastros.  Daí entram em contato com conteúdo de adulto, com imagens e textos que não estão prontos animicamente para “consumir”. Entram em contato com pornografia e com o risco de sofrerem assédio sexual. 80% dos pedófilos usam redes sociais e jogos abertos pra se aproximarem de crianças.

 

Apesar de 88% usarem a internet em casa, nem todos têm a supervisão dos pais o tempo todo. 66% ficam em joguinhos, mas 59% ficam interagindo com outras pessoas. E que pessoas são essas? Alguns amigos, outros, pessoas que “aparecem”. Por isso o alerta. É via esse canal que iniciam os assédios sexuais com crianças. Mas a pesquisa mostra que existem regras. Ufa! 35% têm regras pra poder usar a internet e muitas delas estão atreladas a tarefas escolares e ajuda com a casa. 24% das crianças não podem fazer tudo que querem na internet e 36% não souberam responder com clareza.

 

E chegamos aonde eu queria chegar com esse estudo. 93% encontram pessoalmente com os amigos da internet. 48% ainda preferem conversar pessoalmente contra 40% que preferem o ambiente virtual. E ainda temos 13% que preferem telefone. Isso revela que as crianças usam a internet como canal de comunicação no dia a dia porque está disponível e é de fácil acesso. Mas que, no fundo, o que buscam é a interação pessoal. É o tête-à-tête. Um desafio que a tecnologia já tenta buscar, trazendo cada vez mais as sensações e os sentidos pra perto dos aparelhinhos. 3D e 4D é isso. Tentativa de aproximação dos mundos.

 

E final de ano tem o Itaú Digital com uma mensagem de Natal (linda) em que diz “O mundo se tornou digital, mas precisamos vigiá-lo pra que nunca deixe de ser humano e pessoal”. Afinal fomos nós que criamos a tecnologia pra servir à raça humana. Então tudo depende do uso que fazemos da internet e das possibilidades que ela oferece. A escolha é de cada um.

 

O Itaú fala do que nós falamos também. Faz os mesmos questionamentos e ponderações. E propõe que a gente coloque o pé no mar pra fazer a conexão wifi. Porque, no fundo, é ali, em contato com a natureza, com o mais sagrado, que fazemos nossas conexões. É o olhar pra dentro de nós. É o respirar em silêncio. O inspirar. E tudo que se inspira, se expira. Esse pé no chão que não podemos perder. Esse pé no chão é que vai preservar os sentidos dessa nova geração digital. Porque o mundo digital é deles. Cabe a nós dar sentido a tudo isso.