Os filhos vão crescendo e os programas de final de semana vão mudando. Pré-adolescentes. Pense neles. De manhã você leva na pré-estreia do filme Zootopia, da Disney. Uma animação, e eles curtem. De tarde, você leva no Lollapalooza, não na área kids. No festival Lolla, mesmo. Cheio de gente e uma diversidade de música absurda. E eles curtem mais ainda. Se ligam no clima de festival de música. Se ligam nas inúmeras possibilidades e diversidades sociais. Se ligam nos cabelos, nos makes, nas roupas. E eles se soltam e dançam na música daquela banda que nem conhecem. Mas curtem.

 

Fomos de Uber. 4h da tarde parecia um bom horário para chegar ao evento. Ainda claro, ainda calmo, sem tanta gente, e daria pra eles sacarem onde estavam à luz do dia. 1o palco era o Cold War Kids, e nossos três pré-adolescentes tentavam entender o que se passava ali. Stella se incomodava profundamente com a fumaça de cigarro. A geração do festival ainda fuma muito. A geração dos menores não entende. “Por que eles fumam tanto? Não sabem que isso faz mal?”. Sabem, mas faz parte da juventude deles. Talvez parem, talvez não. Mas a fumaça e o cheiro chamam atenção ao longo de toda a tarde. Incomoda a ponto de eles pedirem pra mudar de lugar a cada grupo que chegava fumando (a gente não parou quieto rsrsrs).

 

E eles querem mesmo é circular. Ver o que tem nos espaços dos patrocinadores. Ver as comidas dos foodtrucks. E reconhecem os chefs todos. Dos programas de TV e dos Masterchefs da vida. São os novos ídolos dessa garotada. É o cara que faz. Ali, de verdade. Encontram o Henrique Fogaça e pedem uma foto na hora. Depois encontram três YouTubers e saem correndo pra tirar foto com eles. Os famosos estão no mundo digital e fazem coisas que eles também fazem. É o sucesso entre prés e adolescentes. Gente que faz e que circula no mundo dos canais “fechados”. Quem observa vê a mudança de super-herói nitidamente. Sucesso. Eu acho.

 

Continuamos circulando e eles querem entrar nos espaços dos patrocinadores. A gente argumenta que não tem nada e “olha o tamanho da fila”. Mas não tem problema. Querem ir mesmo assim. E lá vamos nós. O conceito continua o mesmo: experiência de marca. “Mas como assim a gente não ganha nada?”, eles perguntam ao saírem do tobogã do Trident. Pois é, mas agora é assim: vale a experiência, meus queridos. Antes davam de graça até injeção na testa. Agora não dão mais. Mas eles curtem. Querem mais, e vamos ao próximo. O festival vira quase um parque de diversões. Tem carrossel, balanço, cama elástica, redes pra dar um relax… Eles vão passando, sacando e curtindo cada uma das propostas.

 

Mais um show. Munford & Sons, e eles dançam! Se soltam no gramado do Lolla. Abrem os braços, giram e arriscam cantar. Lindo de ver e de poder estar tão perto da mudança. Ou poder fazer parte da mudança. De criança a adolescentes. Num pulo. Passa rápido demais esse tal de tempo. E a gente, do lado de cá, tem uma única chance de continuar colado neles: é colar no que eles gostam. Entender os movimentos, as linguagens e colar nelas. Senão a gente fica. Perde o laço, perde a conexão, e daí… tá solto no mundo.

 

E soltos eles estão. Soltinhos. “Gente, o que vocês mais gostaram de observar?”, pergunto eu. “As roupas”, responde Stella, minha sobrinha. “Os cabelos”, fala o Lucas. “Tinha uma menina branca, mais branca que a Bia, e com o cabelo de dreads enormes e brancos”, conta o Pedro. Eles observam, criam referências e ampliam repertório. Sem pré-conceitos. Abertos a novos conceitos. Isso, sim, que é bom! O festival é uma plataforma de estilos e referências de moda e culturas sociais. Quem trabalha com moda vai entender: é um grande painel de moodboard. Delicioso de observar. Mas já está tarde. As perninhas dos pequenos já cansaram. E vamos embora. Agora de ônibus. O melhor de tudo? É escutar do seu filho, no dia seguinte, que ter ido ao Lolla fez com que ele gostasse ainda mais de música. Filho, a mamãe também. Música é bom pra caralho (desculpem o termo).