O início da vida escolar é marcante. Isso é fato e quase que óbvio de ser falado. Mas é algo tão único e particular que precisa de um olhar atento e carinhoso. Carinhoso a criança que pela primeira vez terá oportunidades de experiências que serão só dela. Não tem pai e mãe para interferir. Um símbolo das primeiras conquistas de independência e liberdade. E justamente por isso, o olhar carinhoso também precisa se voltar aos pais que soltam as pequenas mãos de coração partido. Num misto de orgulho e dor, lá se vai o filho pela primeira vez. E agora a responsabilidade não é mais só deles, mas também dos educadores que passarão horas do dia com a criança. Aos educadores, o olhar carinhoso da confiança, do respeito e da parceria. Um laço que precisa ser muito bem feito e deve ter pontas iguais. Nada de mais fita de um lado ou menos do outro. Relações equilibradas garantem boas memórias.

E por memória a gente vai guardando as inúmeras experiências que acontecem numa escola. As curriculares e as vividas. As que são trazidas pelos educadores como tema de estudo e as que se aprende no tanque de areia ou na hora do lanche com o amigo do lado. Uma forma atual de olhar, e educar, a criança de forma integral. Respeitando seu ser biológico e sua composição cultural que se forma. Porque realmente as crianças desses tempos não são mais as mesmas dos nossos tempos. E se não tivermos esse olhar as mudanças dos tempos não será possível educar. A escola deixa de ter importância como condutora de experiências quando ela ignora a pergunta “fora de hora” de uma criança, por exemplo. É preciso de um olhar colaborativo para entender as mudanças e poder atuar não por disciplinas, mas por experiências.
Não vale mais a rotina com horários para artes, português, matemática ou educação física (ainda que não tenha esses nomes). E sim como eu parto do que a criança traz como um saber para trabalhar campos de experiência onde ela possa construir pensamentos e dar sentido a aprendizados. A experiência passa a ser um tema, uma forma de trabalhar algo que está acontecendo. Assim a gente é capaz de provocar mudanças, de fazer revolução. E é só por ela que seremos capazes de promover cultura.

E para que isso aconteça precisamos de meios. Como um condutor capaz de fazer com que a criança chegue onde se é esperado. E eles são inúmeros porque cada um vai ter seu jeito particular, mesmo que o educador lhes apresente uma única forma de caminho. O mesmo meio é diverso para cada criança, assim como para cada educador que está em sala de aula. O jeito que eu decido trabalhar escuta e fala não precisa ser o mesmo da professora da sala ao lado. Isso porque o próprio educador é um meio de aprendizagem se o olharmos como um recurso. O que precisamos todas é ter as expectativas muito claras do que se quer trabalhar e onde se quer chegar.

A escola, certamente, é uma experiência inesquecível. Um espaço – ou um meio – de inúmeras aprendizagens e vivências. Em que conceitos sociais e pedagógicos são trazidos em atividades – ou experiências. Uma fase riquíssima de descobertas, muitas perguntas e algumas respostas.