A relação entre mães e internet está cada vez mais estreita. É ali que acontece o bate-papo sobre filhos e sobre elas mesmas. Elas trocam dicas, receitas, alegrias, aflições e falam sobre a solidão da maternidade. Um caso de amor sem igual. Uma via de mão dupla que faz estreitar laços e que ganha peso nesse universo de parenting. Mas o que será que acontece pra dar tão certo?

 

Abdicar da vida pessoal para tornar-se mãe tem um preço, e ele é alto. Por mais que muitas mulheres tenham o apoio do marido, um dia vão experimentar o dedo na cara como quem diz “sou eu que te banco”. E, se já não bastasse esse medo, tem ela mesma apontando todos os outros. Dizem que a culpa nasce com a mãe. Eu não acredito, mas 90% das mães, sim. Amor não é culpa. Amor não tem culpa.

 

Mas as histórias quase sempre se repetem. Os filhos nascem e as mulheres se veem diante do dilema de parar de trabalhar para cuidar do filho ou seguir carreira e sentir-se culpada pela ausência. Dilema posto em xeque, muitas optam por largar tudo e cuidar do filho sob o argumento que o tempo passa rápido e querem poder acompanhar de perto todas as fases e conquistas. Só que vem junto a solidão. Porque ficar sozinha em casa tem um preço alto. Existe um silêncio gigantesco durante a tarde quando o bebê esta dormindo. A casa tá vazia. E lá vão elas pra internet buscar conforto e informação.

 

A necessidade de trocar informação e experiência é tão vital quanto a necessidade de afirmação. E é aqui que está a força dos grupos de mães em redes sociais e nos blogs. Uma via de mão dupla que faz estreitar laços, já que quem está do lado de lá também é mãe. Informação em forma de conforto. Sem cara, mas com coração. Porque tão importante quanto o compartilhamento de informações é o de sentimentos.

 

Tudo de mãe para mãe, que vive a mesma oscilação entre momentos de alegria e amor pleno a momentos de fúria, em que você se tranca sozinha no banheiro para ter paz. Só mães, como mães, é que são capazes de entender esse fenômeno, e daí a primeira causa de sucesso e crescimento do universo das pracinhas digitais. Experimente dar o famoso Google na internet com a busca “blog de mãe” e você vai se chocar com a quantidade de páginas que aparecem com o tema. São aproximadamente 7.880.000 resultados. Isso, nada mais nada menos, reflete o buraco de uma geração. Ou a mudança de uma geração.

 

O que acontecia antes nas pracinhas do bairro, enquanto as crianças brincavam no tanque de areia, acontece hoje no ambiente virtual. Mães que tinham, antigamente, em suas próprias mães o apoio. Hoje, assim como buscam informações de viagem, compras, serviços, plásticas e etc. na internet, buscam apoio também. A via, a forma, é a mesma. O que muda é o conteúdo. Talvez também porque não querem mais um dedo apontado para elas. Porque muitas vezes a família pode criticar a forma que você escolheu pra educar e vai dar um conselho de cima do salto da idade, e isso irrita. E quem está no mesmo barco tende a acolher. Diz um ditado africano, “É preciso uma aldeia inteira para cuidar de uma criança”. Tá ai uma grande comunidade.