É quando ele bate fora do ritmo. Quando algo o tira do curso diário de trabalho. Pode ser uma emoção forte, pode ser um problema físico. Pode ser um descompasso da natureza. Ou até uma força do pensamento. Em quatro frentes diferentes é possível tirar o coração do ritmo e provocar uma arritmia do coração. Ou como os médicos chamam, uma arritmia cardíaca – o que seria uma doença.

Pense você passando por um momento complicado. Daqueles clássicos. Pode ser alguém que faleceu, a conta que está negativa, a falta de trabalho – ou o excesso de trabalho, o estresse que ele gera. A hiperatividade, a hiperfelicidade, os hiper sentimentos… Tem um bocado de coisas que saem das nossas emoções que deixam o coração meio atrapalhado. Imagine você no médico com uma dessas queixas e ele ignorando o fato de você sentir algo com a emoção e tratar apenas o que você sente com o físico. Seria um soco no estômago de muitas queixas, mas é um dado real que a medicina não sabe lidar. “A medicina convencional se baseia em estatísticas, em dados comprovados por números”, fala o médico antroposófico dr. Derblai Sebben. “Agora veja, aos que tem fé o mínimo que os médicos deveriam receitar é que tenham fé. Isso: tenham fé. Existem inúmeras experiências que comprovam que o pensamento positivo e a fé ajudam na melhora do paciente”, completa. Tá aí um dado estatístico que realmente a medicina poderia se apropriar: da fé. Ou do sentir do paciente.

Agora imagine você em outro médico com a mesma queixa. Dor no coração, você sente ele acelerado. Algo também está errado fisicamente. O que os médicos fazem? Dão remédio. E muitas vezes o corpo realmente precisa daquele remédio para ajudar na cura. Não seria cabível um médico negar, por exemplo, que um paciente com câncer não tome medicações indicadas para diminuir o tumor. “Mas a grande pergunta que os médicos deveriam fazer é como que o corpo se cura? Porque quando a gente quer curar deveríamos estimular o corpo”, questiona Derblai. “Os remédios alopáticos, no fundo, limpam a área para o corpo se recuperar. Quem trabalha, no fundo, é o corpo. Então temos que nos preocupar com a cura do corpo como um todo. Como algo uno”. Derblai exemplifica com o caso de uma criança com catarro na garganta que inflamou e provocou febre. Você pode receitar um antibiótico (que muitas vezes realmente é necessário ok). O medicamento vai limpar a área da garganta, mas o mesmo catarro que está ali estará também nos ouvidos e pode estar nos pulmões. E muitas vezes esse catarro veio de algo que a criança comeu, como proteína em excesso. Veja como o remédio não age na causa e sim no sintoma. Precisa da força do corpo para trazer a cura. “É preciso considerar a força do corpo que cura, senão vamos bloquear um dos nossos maiores sentidos de vida”, fala o dr. Neste caso, o próprio nome diz: antibiótico = anti-vida. Para que tomar um remédio que vai contra a própria vida? Faz sentido até que ponto?

Cuidar dos hábitos gera saúde. Quanto mais saúde, mais preenchido estaremos do que chamamos da fonte do ser humano. O que isso quer dizer? Entre algumas coisas quer dizer de sentido, de ritmo, de vida. “É necessária uma re-humanização da medicina para cuidar do paciente”, pontua. “Quando a gente olha o organismo como um todo sabemos que ele faz parte de um ritmo que depende do Sol e da Terra”. Não usamos a expressão “meu intestino é um reloginho”? Porque instaurou-se um ritmo no corpo que está integrado ao ritmo do dia e da noite. Dos ventos, das chuvas, do sol e da sombra.

Arritmia do coração é quando a vida perde esse ritmo. É quando a gente tira o corpo de sintonia com a natureza, com o céu e a terra. É quando a gente para de sentir os cheiros. É quando a gente se desconecta do humano, da fonte do humano. Do que nos traz vida. Mexer no ritmo mexe no tempo de vida de uma pessoa. Isso a medicina já sabe. Sabemos nós agora, para cuidar mais e melhor das coisas que vem do coração.