Tem uma geração aí de crianças que é chamada de Z e que será responsável pelas grandes mudanças que veremos no mundo. São responsáveis também pelo novo padrão de consumo que irá se estabelecer. Mas essa mesma geração, nascida depois do ano 2000, vive numa inércia terrível. Porque são crianças que nasceram na era digital, não sabem o que é viver sem tecnologia e, nesse caso aqui, significa não saber raciocinar. Usar o cérebro.

 

É isso aí. Podem assustar, achar que é exagero, o que for. Mas a touch generation, como eu prefiro chamar, está acostumada a passar o dedo e a coisa acontecer. A tecnologia imita a inteligência dos nossos cérebros, portanto, está programada pra fazer e agir da forma que faríamos. E hoje, ainda, ela age de forma mais inteligente ainda pelos sentidos. Isso tira de nós a possibilidade de pensar, de raciocinar, da experimentação, do certo e errado. O que confere a essa geração de crianças uma inércia de raciocínio.

 

Observe seu filho nas tarefas básicas e simples de um dia a dia ou de uma viagem. Estão tão acostumados com a máxima do “venha a nós o vosso reino”. E não sabem procurar, não sabem elaborar hipóteses do que pode ser para poder agir. Eles estão no banho e falam “Mãe, cadê a toalha?”. Ou “Mãe, onde abre?”, “Mãe, o que eu faço agora?”. “Mãe, que roupa eu ponho? Está frio ou calor?”. Oi?! Abre a janela, põe o braço pra fora e sinta. Veja o que você está sentindo. Sinta, pense e decida.

 

Pais e mães estão acostumados a decidir, e a fazer, tudo pelos filhos + filhos que fazem parte de uma geração em que tudo está pronto = geração de crianças que usa o cérebro dos pais pra agir. Oi? E aí, faz como? Como eles vão mudar o mundo? “Mudar o mundo”… Lá se foi a música do Cazuza e Frejat. Ideologia eles terão, certamente. Mas vão precisar sair da inércia pra poder mudar o mundo. E isso só vai acontecer se os pais permitirem mais autonomia a essas crianças. O que significa deixarem, e provocarem, para que façam sozinhos, para que tomem decisões e vivam as consequências. E pra que usem a tecnologia com inteligência. Porque é a nossa inteligência que deve sobressair. Ou seja, usarmos a inteligência do homem para fazer o melhor uso da tecnologia.

 

“O futuro será feito a mão” é o slogan da campanha de verão da marca carioca Farm. E o que ela tem a ver com este texto aqui? Tudo. Pela antroposofia, os seres humanos são dotados das mãos como meios transformadores. É pelas mãos que construímos, que nos alimentamos, que trabalhamos, que transformamos. Nenhum outro reino na Terra tem o poder de transformar pelas mãos. Cabe a nós decidir o que fazer com elas. Sabe o ditado que diz “o futuro está em nossas mãos”? Não está na tecnologia, não está na inércia, não está no cérebro da mãe ou do pai. Está na cabecinha e no coração de cada uma das crianças. Só precisam de incentivo e coragem pra agir e transformar.

 

Coragem – “cor” – prefixo de coração, agir com o coração – coração em ação. Nos contos de fadas, o desafio será superado pela coragem. O bom coração vence. E será coroado rei. Coroa – cor – coração. Governar com o coração. Simbologia dos contos populares. Simbologia de estudo dos grandes psiquiatras. Simbologia da nossa mudança. Do fazer o futuro com as mãos. Sem a inércia dos sentimentos e do cérebro. Com o coração atento. Um acalanto pra quem quer mudar o mundo.