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Tragédia de Goiás: Fruto do Bullying?

Joel Rennó

21/10/2017, 3:35

Essa triste tragédia ocorrida em Goiás onde um menino de apenas 14 anos de idade atirou contra colegas de sua faixa etária tem sido encaminhada pela imprensa e até autoridades como um caso de reação ao bullying sofrido.

 Entendo que nessas horas de sofrimento e dor toda a sociedade se mobiliza para encontrar possíveis motivos e justificativas para um comportamento dessa gravidade. A sociedade nessas horas costuma julgar um caso complexo assim como fruto da intolerância reinante na nossa sociedade, da falta de apoio e comunicação familiar, de uma reação aos maus tratos ou bullying -entre outros fatores. Isso é mais palpável para muitos.

 Mas quero chamar a atenção para outro aspecto tão ou mais importante: o preconceito e a desinformação ainda reinantes na área de psiquiatria.

 Claro que ninguém pode fazer uma análise precisa e específica apenas com base em informações colhidas na imprensa, de forma que as conjecturas necessitam de um cuidado em suas assertivas. Um diagnóstico apurado só será possível com uma avaliação psiquiátrica detalhada do garoto nas próximas semanas.

 Ao que parece o garoto já teria passado por tentativas de suicídio e estava em tratamento psicológico mas não psiquiátrico. Não ficou evidente também que ele sofria perseguição no ambiente escolar, apenas parece terem brincado com ele pelo odor fétido corporal devido ao fato dele não tomar banho há dias, isso possivelmente decorrente do que denominamos esquizoidia, ou seja, o início de um comportamento estranho (isolamento ou reclusão com idéias desconectadas e descuidos básicos de higiene) que pode anteceder um quadro de esquizofrenia.

 É possível que esse menino estivesse em surto psicótico, fora da realidade que o cercava e com juízo totalmente prejudicado a respeito do contexto há dias e preparando-se, nessas condições, para o ato letal contra seus colegas. Não houve antecedentes de maus tratos, portanto, não parecia efetivamente ser um caso de perseguição ou bullying no ambiente escolar.

 Seus colegas relataram que ele se dizia “nazista” e “satanista” e sua bolsa era cheia de figuras de suástica e de satanismo. Infelizmente, a facilidade do acesso a uma arma acabou sendo o elo final na cadeia mental do surto psicótico dele.

 Os pais e a sociedade precisam enfrentar esses problemas psiquiátricos de suas crianças e adolescentes de frente porque uma doença mental não tratada pode levar a tragédias dessa magnitude infelizmente. Algumas doenças mentais, como a depressão nesse período de vida, levam as pessoas a uma sensibilidade extrema perante críticas, outras podem gerar comportamentos bizarros que logicamente tornam as crianças vulneráveis a deboches ou chacotas. Na adolescência, muitos quadros psiquiátricos não tratados têm como componente nuclear a irritabilidade e agressividade (autodirigida ou heretodirigida). Um adolescente com grave doença mental e se sentindo perseguido vai reagir geralmente com violência!

 E o que concluimos?

 Que os transtornos mentais precisam ser melhor avaliados e diagnosticados na infância e adolescência. Por causa do estigma, muitas famílias e escolas evitam a procura de um psiquiatra ou então pior: a rede pública não oferece o serviço.

A doença mental em si não torna ninguém mais violento, desde que seja diagnosticada e tratada precocemente. Mas todos costumam realmente buscar a ajuda do médico psiquiatra só quando há urgências ou em situações extremas. A leitura cognitiva ou percepção do ambiente por parte de quem sofre de um transtorno mental pode ser totalmente distorcida. Por isso é importante que sempre eduquemos nossos filhos a terem cuidado com o que falam aos outros. Mesmo uma verdade inocente pode gerar em alguém que não está no seu perfeito juízo ou crítica a respeito da realidade que o cerca uma reação imprevisível e catastrófica.

 Observo também que muitos procuram profissionais de diversas especialidades nessas horas, exceto o psiquiatra- há uma resistência nítida e tudo é atribuído à fase de rebeldia ou transição da adolescência. Acho que todos têm, sem dúvida, a sua importância mas o diagnóstico precoce, específico e correto de doença mental deve ser realizado prioritariamente pelo psiquiatra como sempre escrevo em minhas colunas. Isso pode salvar a vida de todos!!!

Fonte: www.psiquiatriadamulher.com.br

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