Embora o status socioeconômico mais baixo esteja associado a um risco aumentado de doença mental, incluindo ansiedade e depressão, pouco se sabe dos processos biológicos que podem mediar esta associação. Um estudo que aparece na conceituada Revista Molecular Psychiatry sugere uma via biológica através da qual o menor nível socioeconômico pode contribuir para a função cerebral alterada e risco futuro de depressão.

” A via de risco identificada poderia representar um biomarcador discreto que seria o alvo de novas estratégias para tratamento personalizado e prevenção”, disse Johnna Swartz, Ph.D., da Universidade de Duke- EUA.”

Para o estudo, os pesquisadores analisaram dados epigenéticos, de neuroimagem e comportamentais coletados de 132 jovens que participaram do Teen Alcohol Outcomes Study (um estudo de vários anos examinando a associação entre o desenvolvimento de depressão e transtornos do uso de álcool na adolescência). Adolescentes tinham entre 11 e 15 anos durante a primeira onda de coleta de dados (onda 1), 13 e 18 na onda 2 e 14 e 19 na onda 3.

O status socioeconômico mais baixo – conforme definido pela educação e renda dos pais – na onda 1 prediz a um maior aumento na metilação da região proximal do gene promotor SLC6A4, dois anos mais tarde (onda 2), com ou sem história familiar de doença mental. A análise dos dados de ressonância magnética funcional revelou que aumentos na metilação de SLC6A4 da Onda 1 para a Onda 2 também estavam associados com aumentos na reatividade da amígdala cerebral relacionada com a sensação de ameaça durante o mesmo período. Em adolescentes com história familiar positiva de depressão, maiores aumentos na reatividade da Onda 1 à Onda 2 previram prospectivamente aumentos maiores nos sintomas depressivos da Onda 2 à Onda 3.  Não houve tal relação em adolescentes sem história familiar de depressão.

“É possível que esses adolescentes de alto risco à depressão experimentem formas adicionais de adversidade crônica, como negligência de pais ou discórdia familiar, incomum entre seus colegas de baixo risco e que essa exposição adicional é necessária para desencadear sintomas de depressão”, concluíram os pesquisadores. “Os resultados identificam uma via biológica específica através da qual uma adversidade ambiental mais ampla pode agir para conduzir a vulnerabilidade individual para a depressão entre adolescentes em risco”.

Portanto, pelos dados desse importante trabalho chegamos à conclusão de que as adversidades ambientais podem levar a modificações genéticas definitivas que causam depressão em nossos filhos adolescentes. Essas adversidades incluem status sócio-econômico baixo por culpa de governos corruptos e omissos em políticas sociais e também por ambientes familiares repletos de conflitos. O comportamento doentio de seu filho pode ser produto do meio e hoje a biologia explica essa relação de forma consistente!!!

Fonte:Psychiatric News.  Artigo:  “Researchers Tackle Complexity of Intergenerational Stress Transmission.”