O consumo de drogas legais e de prescrição médica é considerado um problema de Saúde Pública. No caso específico das mulheres, um dos agravantes é o uso abusivo e indiscriminado de calmantes e remédios para emagrecimento, que podem comprometer a saúde física e mental quando mal utilizados. Tivemos nos últimos anos um amplo debate entre ANVISA e entidades médicas sobre a liberação ou não de anfetaminas como femproporex, anfepramona e mazindol que tinham sido proibidas pelo risco cardíaco. Ambos têm argumentos embasados a favor ou contra. Nesta semana, o Deputado Federal Rodrigo Maia, no exercício presidencial, retirou a proibição. O CFM (Conselho Federal de Medicina) recomenda o uso cuidadoso e com acompanhamento médico rigoroso. O problema é que sempre existiu um mercado negro paralelo e que vende indiscriminadamente drogas como anfetaminas, anabolizantes e outras. Mundialmente, o consumo de substâncias psicoativas – SPA – ainda é maior entre os homens. Entretanto, a diminuição da proporção entre homens e mulheres para as drogas de modo geral e a predominância do uso de medicamentos, mais especificamente benzodiazepínicos (calmantes), e anfetaminas (estimulantes) e anorexígenos por mulheres, vêm sendo registradas em muitos países.

 O Brasil é o maior consumidor de anfetaminas do mundo!

Padrões estéticos rígidos, falsas promessas de emagrecimentos rápidos e mágicos, culto excessivo ao corpo magro estão entre os principais responsáveis pelo seu uso exagerado e, muitas vezes, sem acompanhamento médico adequado.

O uso de anfetaminas, além de poder gerar dependência, tremores, suores intensos, taquicardia, pode causar ou desencadear transtornos ou sintomas psiquiátricos como depressão, irritabilidade, agitação psicomotora e psicose (alucinações e delírios). Há até risco de morte.

No Brasil, o álcool e o tabaco são apontados como os problemas de saúde pública proeminentes, com maior percentual de uso entre pessoas do sexo masculino. O uso de maconha e solvente também prevalece entre os homens.

O uso de benzodiazepínicos e anfetamínicos mostrou-se, porém, três vezes maior entre as mulheres.

Algumas das fórmulas de regime contêm a associação de doses excessivas de antidepressivos, tranquilizantes e anfetaminas. Emagrecimento, sem um suporte psicológico adequado, não significa melhora da qualidade de vida e da autoestima.

Preconceito e discriminação são apontados como as principais barreiras para que pacientes procurem ajuda médica especializada em saúde mental. O objetivo é justamente romper tais barreiras, tornando “normal “ o que ainda é tabu: o acesso à saúde mental, principalmente à feminina.

Consequências do Uso de Drogas Para Emagrecer

Geralmente, depois da interrupção do tratamento com esse tipo de composição de fórmulas para emagrecimento, que muitas vezes são prescritas como sendo naturais, é preciso cuidado redobrado.

Quem consumiu remédios para emagrecer costuma engordar mais do que antes e apresenta mais dificuldade para perder peso, já que, depois de uso continuado da anfetamina, o metabolismo fica lento e a capacidade de queimar gordura diminui. Inibidores de apetite em conjunto com medidas de reeducação alimentar e atividades físicas podem ter papel importante no tratamento da obesidade, mas seu uso não pode ser vulgarizado.

Quem quer emagrecer precisa de acompanhamento médico sério, com enfoque multiprofissional.
A melhor solução para um emagrecimento saudável e definitivo requer a adoção de alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos regulares. Além da mudança de hábitos e, claro, muita persistência.

Você é Mais que Seu Corpo

O corpo não é apenas um suporte, é a raiz identificadora, nossa comunicação com o mundo. Faz parte da individuação plena. A vaidade não só é necessária como também é um importante recurso de autoestima, desde que não ultrapasse o limite saudável do psiquismo.

Fonte: www.psiquiatriadamulher.com.br