O transtorno bipolar, que afeta cerca de 8 milhões de americanos, cobra seu custo não só aos pacientes, mas também em suas famílias e comunidades.

Um estudo recente de cientistas do The Scripps Research Institute (TSRI) da Universidade da Flórida identificou variações genéticas específicas fortemente associadas com um aumento da susceptibilidade ao transtorno bipolar e outras afecções. A descoberta pode proporcionar um alvo para novos tratamentos.

No novo estudo, os investigadores centraram-se em um gene conhecido como PDE10A, um dos muitos genes que estão associados com transtorno bipolar, e as proteínas que produz este gene. Estas proteínas ajudam a regular os níveis intracelulares de uma molécula mensageira chamada AMPc (monofosfato de adenosina cíclica), que está envolvida em diferentes processos biológicos incluindo a aprendizagem e a memória.

“Começamos com a ideia de que as mudanças de comportamento nos indivíduos bipolares poderiam ser devido a estas variações genéticas na via mensageira do AMPc”, disse Ron Davis, chefe do departamento de neurociência da TSRI. “Descobrimos que este era o caso e, certamente, essas variações estavam em um gene específico da via mensageira do AMPc chamado PDE10A. As variações que encontramos no gene podem modificar a função de uma forma de PDE10A e conduzir a susceptibilidade ao trastorno bipolar”.

A pesquisa, publicada na revista Translational Psychiatry, examinou tecido cerebral humano de pacientes com transtorno bipolar, assim como o tecido cerebral de indivíduos sem transtorno psiquiátrico.

“A proteína PDE10A19 é interessante porque anteriormente não sabíamos que existia no cérebro humano porque somente era encontrada em outros primatas, não em camundongos ou ratos”, disse o pesquisador adjunto Courtney MacMullen, principal autor do estudo. “Logo que compreendemos a forma que essa proteína ajuda a que os neurônios permaneçam saudáveis, poderíamos desenvolver medicamentos para os neurônios quando não funcionam normalmente, tal como em pacientes com transtorno bipolar e esquizofrenia.”

Os resultados sugerem que as variações anormais em PDE10A19 poderiam modificar a sinalização de AMPc interatuando com outra proteína conhecida como PDE10A2, restringindo sua atividade e alterando de todo o processo.

Davis disse a complexidade da expressão genética no cérebro humano esta muito subestimada e que futuros estudos neurogenéticos devem começar com um aprofundado estudo da capacidade de cada gene para codificar proteínas, para evitar falsas conclusões particularmente quando conduzem ao desenvolvimento de tratamentos potenciais.

“Precisamos entender muito mais sobre esta grande família de enzimas e as funções têm nas alterações como no transtorno bipolar”, disse.

Referências:

C M MacMullen et al, Novel, primate-specific PDE10A isoform highlights gene expression complexity in human striatum with implications on the molecular pathology of bipolar disorder. Translational Psychiatry, 2016; 6 (2): e742 DOI: 10.1038/tp.2016.3

Fonte: Science Daily