As mulheres com primeiros episódios de transtornos psiquiátricos severos no pós-parto têm taxas de mortalidade quatro vezes maior do que as mães sem história psiquiátrica anterior.

Um estudo importante constatou que o primeiro ano após o diagnóstico representou um momento de alto risco de suicídio para o grupo de mulheres com transtornos psiquiátricos do pós-parto graves.

Pesquisadores dinamarqueses coletaram dados sobre todas as mulheres nascidas na Dinamarca em 01 de janeiro de 1950 ou mais tarde. A coorte do estudo incluiu 1.545.857 mulheres que foram seguidas desde os 15 anos de idade até a morte ou emigração da Dinamarca, ou até 31 de dezembro de 2011, o que viesse primeiro (houve um período de seguimento máximo de 42 anos e uma idade máxima de 62 anos para as mulheres da coorte).

A variável de exposição principal foi definida como qualquer primeiro contato psiquiátrico hospitalar ou ambulatorial dentro dos primeiros 90 dias após oparto. O desfecho principal foi a taxa de mortalidade para as mortes por causas naturais ou não naturais (como a morte por suicídio ou acidentes).

Dos 1,545.857 membros da coorte, 2.699 mulheres tiveram um primeiro contato psiquiátrico em uma instalação de tratamento hospitalar ou ambulatorial no prazo de três meses após o parto. Destas, 96 mulheres morreram durante o período de acompanhamento.

Mulheres com transtornos psiquiátricos do pós-parto tiveram uma taxa de mortalidade mais elevada (3,7 vezes maior) do que as mulheres sem história psiquiátrica. Causas não naturais de morte representaram 40,6% das mortes entre as mulheres com transtornos psiquiátricos do pós-parto contra apenas 9,3% daquelas sem transtorno psiquiátrico. O risco de suicídio no primeiro ano do pós-parto, em mulheres com transtornos mentais severos, aumentou drasticamente em quase 300 vezes.

O risco relativo alto de suicídio no período pós-parto garante atenção especial para este grupo vulnerável de mulheres e para isso o diagnóstico e tratamento precoce são essenciais. Os autores do estudo enfatizam a necessidade de médicos de diversas especialidades ficarem atentos a sintomas de ansiedade e humor em mulheres do periodo puerperal.

Infelizmente, há ainda uma negligência quanto ao diagnóstico de depressão pós-parto e as triagens de novos casos são ignoradas. As armas são a conscientização com o fornecimento de psicoeducação para as mães e o treinamento e capacitação dos médicos de diversas especialidades para a detecção de possíveis pensamentos suicidas e alterações de humor nessas mulheres de risco que sofrem muitas vezes caladas devido à sacralização que permeia a maternidade e até impõe uma ditadura da felicidade obrigatória.