Devido à maior tolerância social e cultural, tradicionalmente os homens sempre beberam mais que as mulheres. Há mais de uma década havia 10 homens com “beber pesado episódico (BPE)”- 60 gramas ou mais de ingestão de álcool em um único episódio- para cada mulher. Hoje a proporção já é de 3:1

Observamos que a dependência e os efeitos nocivos do álcool se estabelecem mais precocemente nas mulheres devido às diferenças de enzimas metabolizadoras de álcool, distribuição de água e gordura diferente entre os organismos masculino e feminino e até por alterações hormonais nas mulheres.

As mulheres como um todo costumam beber mais cerveja, mas tem havido aumento crescente no consumo de vinho e até de destilados. O início do consumo tem sido cada vez mais precoce nas meninas.

Há alguns padrões de consumo de álcool em mulheres de acordo com o perfil etário. Mulheres mais jovens consomem álcool em grupos, por diversão e em baladas. Mulheres acima de 50 anos costumam consumir álcool sozinhas e para anestesiar a dor psíquica decorrente de um processo de luto ou perda durante o período da menopausa.

Até mesmo conquistas profissionais relevantes e merecidas das mulheres podem contribuir. Percebe-se que a cobrança profissional e exigências corporativas sobre as mulheres são significativamente maiores que as dos homens- isso sem contar as tarefas domésticas não menos exaustivas. Isso gera um estresse crônico com adoção de hábitos que eram tipicamente masculinos como ingestão de álcool e de alimentos gordurosos do gênero “fast food”.

O uso abusivo de álcool pelas mulheres tem aumentado o risco para algumas doenças como câncer de mama, doenças cardiovasculares, hepáticas e pancreáticas além de doenças psiquiátricas associadas ao consumo excessivo de álcool (depressão). Infelizmente, os abusos físico e sexual durante esses períodos de consumo abusivo de álcool aumentam consideravelmente e ainda servem de justificativas absurdas para homens oriundos de uma cultura machista preconceituosa e desrespeitosa aos direitos das mulheres.

Beber moderadamente é fundamental para a preservação de saúde!!! E na gravidez, não há limites seguros para a ingestão de álcool e sua segurança ao desenvolvimento fetal, portanto a abstinência total é a recomendada pelos trabalhos científicos atuais.

Feliz Mês de Março a todas as Mulheres!

Fonte: CISA (www.cisa.org.br)