Califórnia, “Golden Gate”. Fonte: Google imagens.

Devemos à França e sua cultura muita coisa luminosa, como a torre Eiffel, o impressionismo na pintura, significativa contribuição para a invenção da fotografia e do cinema (foto em movimento), a competição ciclística “tour de France”, o seu destacado espírito culinário e vinícola, dentre outras coisas. Mas é precisamente da sua culinária que vem um dos lados mais obscuros desse país civilizador (lembrando que a civilização de modo geral tem tudo de bom e tudo de ruim, talvez mais tudo de ruim que de bom)…

Recentemente a Califórnia deu um bom exemplo civilizador ao mundo. Proibiu definitivamente a comercialização de um prato, considerado um símbolo da França, mas que esconde por trás da sua pretensa beleza e sabor um dos métodos mais cruéis de criação animal para satisfazer o egoísmo gastronômico do ser humano: a Califórnia proibiu o assim chamado “foie gras”.

Trata-se de uma iguaria de que a francesa culinária cartesiana, friamente racionalista, tanto se orgulha. Consiste no fígado gordo do pato, conseguido às custas de torturas inomináveis contra o bicho, que, no final da criação, preso, sem mais poder comer, é no entanto forçado a engolir “alimento” guela abaixo, por um tubo introduzido no seu esôfago, várias vezes ao dia. Ora, por se tratar de uma culinária abominável (que eu chamo de cartesiana, pois Descartes considerava os animais como coisas sem alma, no que foi seguido por Kant – e ao contrário de Bentham, que dizia que o importante não é se eles sabem pensar ou raciocinar, mas se eles podem sofrer) é que esse prato de premissas cruéis foi recentemente banido das mesas do mencionado estado norte-americano.

Como se vê, ações de esclarecimento podem levar a decisões políticas relevantes que diminuem a violência dos animais humanos contra os não-humanos, o que contribui para uma conta de sofrimento menos elevada, portanto uma comunidade menos violenta. Por isso gostaria de dizer hoje, em alto e bom som, no bojo do elogio àquela lei: “Viva a Califórnia, abaixo a França!”. Esse estado norte-americano, com sua nova lei, deu uma contribuição civilizatória elogiável ao mundo.