Os vaticínios cumpriram-se, o fim dos tempos, do ser humano, como os conhecemos, está acontecendo diante dos nossos olhos. Surge um ser maquínico.

Sim, no seu conto “O Horla”, Maupassant antecipou que um ente invisível, que consome sorrateiramente o que temos, está entre nós. Só que o contista francês equivocou-se num ponto: esse ser não é invisível, mas nós mesmos, humanos.

Humanos maquínicos.

Lenta e disfarçadamente as coisas terríveis eclodem. A leitura de livros vai findar; no seu lugar já entraram em cena as redes sociais e coisas parecidas. Os livros clássicos vão findar, a reflexão vai findar e será dada pronta como num enlatado.

Softwares já controlam humanos, controlam o que se tem e o que se pensa. Desesperado, o presidente dos EUA, Trump, vidente, twitta toda dia, e quer senhas das redes sociais de quem ingressa naquele país que é fã de três esportes que jamais terão apaixonado público mundial: beisebol, basquete e futebol americano.

Maupassant e o Apocalipse da Bíblia vaticinaram acertadamente. O que é estranho e maligno chegou, silencioso, em forma de luz na tela de um smartphone. Porém não tivemos o alerta das ruidosas trombetas do Apocalipse, cujos anjos, dorminhocos, não as soaram. A visão, ou o sono, venceu a audição.