Certa vez li, num ensaio, uma colocação curiosa. Lá pela década de 1950, falar de assuntos relacionados ao sexo era algo relevante, ou seja, havia certa gravidade em torno do assunto, como se se tratasse de um misto de sagrado e tabu. Por sua vez, os assuntos relacionados a comida eram uma coisa irrelevante.  A obesidade, patrocinada pela indústria de alimentos, ainda não incomodava. Comia-se com a consciência leve, tranquila. Não havia necessidade de angustiar-se com a quantidade de calorias que poderíamos ingerir.

Com o tempo as coisas inverteram-se. Agora falar de sexo é coisa banal, quase que irrelevante; já falar de comida e DIETAS está na ordem do dia. O que comer, sem engordar, virou preocupação universal.

Assim, livros sobre novas dietas se tornam best-sellers. Livros sobre sexo, até mesmo revistas eróticas, encalham. Obviamente que há a exceção que confirma a regra.

Todavia, a banalização da fala e das imagens sobre o sexo foi tão longe, que virou moda fazer selfies do ato sexual.

Do mesmo modo como toda foto do cotidiano parece ter como destino o facebook ou o whatsapp (que pertence ao facebook… haja controle norte-americano!), parece que vai chegar o dia, se as coisas andarem do jeito que andam, em que todo ato sexual terá de ser postado num sítio pornô, do contrário os envolvidos não se sentirão plenamente satisfeitos. Afinal o olhar do outro pode gerar muito prazer.

Não à toa muitos adolescentes, que captam rápido as coisas (para o bom e para o mau), procuram ter um smartphone ao lado antes do ato sexual. Muitos destes atos são imediatamente postados em sítios pornôs.

E que falar de certos atores e certas atrizes que supostamente “esquecem” seus smartphones com cenas íntimas, ou os têm roubados por hackers, e em seguida tais fotos e filmes “vazam” na internet?

O fato de haver uma epidemia de obesidade mundo afora, só me convence que esse modo, por assim dizer, norte-americano de vida, mais desgasta que promove a saúde física e psíquica das pessoas.