A mitologia grega conta a história de Ícaro, que tendo ganho asas de cera de seu pai, um grande artífice, adquiriu a capacidade de voar e assim fugir do labirinto de Creta, onde estava preso. Porém 0 seu pai o advertiu que não poderia voar muito alto, perto do sol, do contrário a cera de suas asas derreteriam. O jovem, no prazer de voar, esquece a advertência, voa cada vez mais alto, e cai no mar.

O piloto do avião que transportava a Chapecoense, tudo indica, não colocou combustível suficiente para o voo entre Bolívia e Colômbia. A máquina, com sede de querosene, caiu das alturas. O piloto fez assim o papel de Ícaro, porém não informou aos que com ele voavam que as asas daquele pássaro metálico eram de cera

Na língua do futebol, um time como a Chapecoense, brônzeo, que embora pequeno não tem medo de enfrentar os grandes, é dito “encardido”. Tinha bela história de ascensão à elite do futebol nacional, boa organização, e já estava a caminho de se tornar o segundo time no coração de cada torcedor.

A Chapecoense despencou das alturas, num papel de Ícaro que não queria representar, mas foi forçada por irresponsáveis autoridades, inclusive aqui não isento alguns dirigentes que fretaram um voo de companhia aérea temerária.

Assim como a morte de um criança com poucos meses de vida é algo difícil de compreender nessa tão difícil vida, também é difícil compreender a morte de um grupo tão promissor de jogadores em voo para o auge de sua carreira profissional. Mas como disse um pensador em poética frase que certa vez li num cemitério: desde o momento em que nascemos já estamos prontos para morrer.