O diabo mora nos detalhes, é o provérbio.

Ultimamente os brasileiros temos discutido muito sobre machismo. O caso do ator da rede globo que foi afastado de suas funções por assédio sexual colocou na crista da onda a discussão sobre o assunto.

De fato, desde os gregos e romanos, o Ocidente é marcadamente patriarcal. É como se a família tivesse de cultuar aquele que tem pênis. Na Grécia, Aristóteles colocava a mulher num nível próximo ao do escravo.

É como se o possuidor do pênis, no Ocidente, tivesse, como retribuição ao seu excedente, poderes sobre quem o cercasse em casa, e isso se estenderia à esfera pública. Só muito recentemente as democracias ocidentais concederam direito de voto às mulheres. Portanto, procuraram igualá-las política e socialmente aos homens.

No Brasil colonial tínhamos o “Senhor” de Engenho, que mandava e desmandava em suas terras e na política local.

De modo que a mulher brasileira viveu, como em geral a mulher ocidental, à sombra dos possuidores de excedente entre as pernas. Daí o machismo que perdura, como projeção dessa anatomia, mesmo com a emancipação político-sexual das mulheres.

Mulheres fazem hoje coisas que antes só os homens faziam.

Apesar disso, caso se mire a vida empresarial, a diferença de salários permanece, e homens costumam em mesmas funções ganhar mais que mulheres. Geralmente eles ascendem com mais facilidade a cargos elevados de empresas e da administração pública.

Todavia, quando, em função de todo esse histórico de “segundo sexo”, o machismo é combatido, cai-se, no Brasil e no mundo, em certos exageros. Já tem gente dizendo que toda relação heterossexual é um tipo de estupro, que olhar para o corpo feminino é assédio, que beijo “roubado” é outro tipo de estupro, que uma “cantada” à mulher, mesmo se poética, é uma agressão verbal e chamem a polícia! etc.

Sai-se de um extremo e cai-se noutro.  O Justo-meio, também aqui, é o indicado.

Mas, não seria a mulher brasileira tão ou mais machista que o homem?

Aceita ela a reforma da previdência com idade igual de aposentadoria, mesmo a mulher comprovadamente vivendo mais? Aceita dividir a conta num hotel ou motel? Aceita carregar a própria mala numa viagem ou colocá-la no bagageiro de um carro (quando morei na Alemanha, terra da mulher emancipada, via a maioria das mulheres carregar a própria mala ou colocá-la no bagageiro do carro)? Aceita namorar ou casar com um homem de estrato social mais baixo? Aceita namorar ou casar com um homem de menor renda? Aceita envolver-se com um homem bem mais jovem?

Como diz o provérbio, o diabo mora nos detalhes, inclusive quando se discute o machismo.