O Brasil e os brasileiros parecem ter gosto especial pelo que é macabro. Prova disso disso é o programa “Fantástico” que semana passada fez bastante jus ao nome. Desfilou um festival de coisas macabras para a audiência.

Valendo-se da comoção popular com a queda do avião do time da Chapecoense, rebobina em imagens os fatos trágicos. Depois detém-se na morte do grande poeta Ferreira Gullar. Seguem-se as imagens do helicóptero que caiu quando levava a noiva para o altar, todos mortos. Vem em seguida a reportagem sobre os impiedosos, cruéis traficantes de animais, e como escapam livres e ricos de suas crueldades contra os bichos e a natureza. Após vem a morte do ditador Fidel.

Por fim, o verdadeiramente macabro. A possível morte política do cangaceiro Renan Calheiros. E isso foi o mais macabro, porque os fatos da semana disseram que Renan está vivo! Num julgamento surreal, o STF passou a mensagem para a população de que um réu pode peitá-lo e ser absolvido. Pois como entender que o cangaceiro das Alagoas desconsidere um oficial de justiça com uma intimação? Eu também posso fazer isso ou só ele?

Que coisa macabra. Nem Dilma, nem Lula, nem Odebrecht, nem Cunha, nem Sérgio Cabral, nem a mulher deste, enfim, só Renan protagonizou tal ação bizarra. Simbolicamente inaceitável. Até por isso, antevejo dias difíceis para Temer. Este, com a sua noticiada negociação de bastidor para salvar Renan – olha o Temer como mordomo de filme de terror voltando –  talvez tenha conseguido o impossível: unir esquerda e um espectro bem maior da direita no “Fora Temer”. O tempo dirá.