Dia desses me sentei num banco de praça, em frente ao condomínio onde moro, em Florianópolis.

Fim de tarde, tempo ameno, soprava uma suave brisa, e vez ou outra voava um avião lá em cima, além das nuvens.

Aos poucos a praça foi ocupada por cachorros, que levavam seus donos para passear. Uma festa. Muitas raças, muitos humanos em sua companhia. Mulheres bonitas, homens em forma, como se tivessem acabado de sair da academia. O verão e o carnaval estão chegando; é hora de todos exibirem-se de trajes sumários.

Pensei:  alguns destes humanos aqui adquiriram seus cachorros como bilhete para estabelecer uma socialização com desconhecidos. Explico. Quando um cachorro encontra outro, começam a cheirar-se, isto é, cumprimentar-se. Inconscientemente seus donos fazem o mesmo, conversam alegres, por vezes um acaricia o cachorro do outro, e assim a sociedade é feita.

Ganhei muitas lambidas dos cães que corriam até mim. Retribuía com um cafuné na cabeça deles.

Se de um lado um cachorro contribui para a socialização, e assim ganha um lar, por outro, se o seu dono tem em mente apenas a sociedade dos humanos, na primeira dificuldade que surja para conciliar viagem e cachorro que não pode viajar, não hesitará em ignorar a este.

O verão, como diz a música, vem chegando; com ele férias, banhos de mar, de cachoeira, de rio. Novos cenários e novas histórias. Por conta disso, muitos cães, infelizmente, terão seu amor incondicional, a sua contribuição para a sociabilidade dos humanos, recompensados com o cruel abandono. Que a polícia esteja atenta ao crime.