Semana de páscoa, pretensa celebração do espírito da paz; porém em Santa Catarina persiste a assim chamada “farra do boi”.

Espetáculo cruel de maus tratos contra os animais. Os bois, tidos como Judas, são transportados (pressentem no trajeto o perigo da morte), soltos em descampados ou ruas ou praias ou manguezais e viram objeto de torturas as mais variadas: perseguidos, recebem pedradas, puxam-lhes o rabo, puxam-lhes o chifre, eles fogem, pulam cercas, caem, são levantados para serem novamente apedrejados, mutilados, chifres quebrados, sangrados; desesperam-se, definham e tudo isso aos olhos e risos de adultos e crianças.

Imaginem a lição de violência que é aí disseminada. Se um bandido nestas plagas invade uma casa e a rouba, porém antes tortura os seus proprietários, decerto aprendeu com a conivência em relação à violência.

Muitos justificam essa barbárie em nome da tradição e da cultura açoriana, uma parte dos portugueses que contribuíram para colonizar tais plagas. Mas pensem: até Barcelona, que tinha touradas, aboliu-as; perceberam os catalães como é péssima a lição de vida que vinha dali. Optaram pela lição de paz.

Ali onde há sofrimento, este deve ser evitado. Os corpos animais e os nossos são extremamente parecidos. Portanto sabemos perfeitamente o sofrimento colossal vivido pela parte passiva em tais práticas.

Ademais, o Supremo Tribunal Federal já proibiu em 1997 através do Recurso Extraordinário número 153.531-8/SC; RT 753/101 [fonte: Wikipedia], essa prática cruel. A proibição é ainda ancorada na Lei Federal nº 9.605, de Fevereiro de 1998 contra crimes ambientais.

O problema é que muitas das autoridades de Santa Catariana fazem “vista grossa” para o evento que, embora tenha diminuído,  repete-se todo ano no período de páscoa. Muitos fingem que cumprem a lei. Mas todo ano é a mesma coisa e os bichos continuamente são esfolados. É a lição da prática da dor, da prática do crime. As imagens públicas da internet falam por si só: www.farradoboi.info/gallery/indexp.shtml

Espalhar nesta semana (e na páscoa dos anos seguintes) o tema pelo facebook, pelo twitter… já é uma contribuição daqueles que querem democraticamente combater tal estado de coisas.