Quando o amor acaba… que drama! Mas vários sinais foram antes emitidos, não é mesmo? O sentido deles, porém, só agora foi entendido, quando então tudo passa a compor uma história com começo, meio e fim.

Agora compreendemos o beijo esquivo; as palavras ríspidas aos nossos ouvidos, quando até então eram música; o súbito tom diferente da voz, compondo uma dissonância, quando até então tudo era harmonia. Agora compreendemos a carícia que deixou de ser feita; o gesto de distanciamento; a promessa não cumprida…

E, sinistro, quando tudo acaba, descobrimos que não conhecíamos aquela pessoa que até então nos parecia tão familiar!

Ninguém, porém, é obrigado a gostar de ninguém, claro. Não se aprende um sentimento, quando muito pode-se despertar a intensidade de um sentimento, que, entretanto, já existia em estado de crisálida. Mas há técnicas amorosas de conquista, poderia a leitora retrucar. Ao que eu responderia: quando alguém é conquistado, é porque já queria ser conquistado, já existia uma inclinação, inconsciente, para que a conquista fosse feita. Ao fim, a conquista não passou de uma cena mal filmada de novela.

O fim do amor é como a fotografia da cidade natal de Drummond, Itabira:

“Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!”

O hábito de sofrer divertia o poeta, do qual retirava material para as suas poesias. Ora, é possível criar o hábito de divertir-se com o fim do amor? Só se pensarmos que o fim de um romance significa a possibilidade do começo de outro. Renovação. Renascimento. Mas muitas vezes demora…

Ninguém é obrigado a gostar de ninguém. E, por isso mesmo, quando de novo surge um novo sentimento correspondido de amor, este também não se expressa por obrigação.

Resta saber se num mundo tão orientado pelo esnobismo, pela hipocrisia, pela padronização de comportamentos em vista do consumo, ainda há lugar para alguém dar vazão aos próprios sentimentos sem precisar seguir os mandamentos das redes sociais, ou do traficante de plantão ou dos colegas efêmeros. Casos estes em que não há amor autêntico, que dura, e aquele amor que é autêntico, é forçado, caso não se lute por ele, a ser sacrificado no altar das ilusões.

Mas… Até pelo próprio fato de que todo mundo já amou algum dia, e muitos casos findaram, e outros começaram, o fim de um caso pode ser o prelúdio de um outro. Feliz quem não precisa repetir o drama. Mas se ele for repetido, que seja uma tragicomédia, e assim haja espaço para o riso.