Foto: Edu Moraes/Record TV

Falar de Theo Becker e não pensar na cena em que ele bate em seus bíceps e no peito, aos berros de “esse é irmão desse”, é uma tarefa difícil. Mas ele quer acabar com essa pronta conexão. Foram, segundo ele, os dez anos mais difíceis de sua vida. Diz ter vivido sob um personagem, e só agora se deu conta disso.

“Ficou mal explicado e ficou realmente parecendo que eu era um louco. E estou há dez anos tentando desfazer esse enigma. É a coisa mais difícil da minha vida”, disse ao blog.

O encontro com o ator ocorreu na tarde de ontem, 19, nos Estúdios Casablanca, no Rio, durante a apresentação da segunda temporada do Dancing Brasil à imprensa. Theo tentou se esconder da imprensa, respirou fundo por diversas vezes para evitar a voz embargada, mas não conteve as lágrimas. “Ou eu aproveito essa oportunidade ou eu nunca vou conseguir mostrar quem eu sou. Direcionei a minha vida para um lado errado, vivi num mundo paralelo onde não era eu. Sofri dez anos na pele do cara que eu criei, e a culpa foi minha”, explica.

A cena citada no início do texto foi exibida à imprensa no evento, no momento em que Theo foi anunciado como um dos participantes da nova temporada do reality comandado por Xuxa, na Record TV. “Pedi para não mostrarem esse vídeo”, diz com certo tom de decepção.

Confira a íntegra do papo com Theo Becker:

Notei que você ficou apreensivo quando exibiram sua imagem no telão. Como você está encarando este retorno à Record?
Ou eu aproveito essa oportunidade ou eu nunca vou conseguir mostrar quem eu sou. Direcionei a minha vida para um lado errado, vivi num mundo paralelo onde não era eu. Sofri dez anos na pele do cara que eu criei, e a culpa foi minha. Dei material para as pessoas terem nojo de mim. Eu mesmo entendo elas por esses dez anos que eu fiquei meio [silêncio]… e agora é a minha chance. Antes de eu perder as forças, tenho que tentar entrar de novo nos trilhos e abrir as portas para mim novamente. Isso é o mais importante.

Quando percebeu que estava vivendo a vida desse personagem que você criou?
Quando minha família me disse que nunca mais eu ia conseguir trabalhar. Falei que era um personagem, mas minha família disse que não era, que eu tinha ficado daquele jeito. E eles me mostraram. Aí eu vi, ficou mal explicado e ficou realmente parecendo que eu era um louco. E estou há dez anos tentando desfazer esse enigma. É a coisa mais difícil da minha vida.

Foto: Edu Moraes/Record TV

E o que você fez neste período fora da TV para pagar as suas contas?
Tudo o que você pode imaginar. Abri loja virtual, tive boate, aluguei casas, fiz teatro, shows com banda. Caiu muito a minha qualidade de vida nestes dez anos. Por sorte, eu já tinha comprado o apartamento que eu queria, e já me livrou do custo do aluguel. E eu fui me virando, segurando as pontas, minha família me ajudando quando eu precisava.

Imagino que você encare o Dancing Brasil como sua oportunidade de retomar sua carreira na TV…
Estou dando o meu máximo. Nunca dei o meu máximo tanto quanto estou dando agora. Eu vejo que eu estou dando o meu máximo quando eu não vou surfar. Quando os meus amigos me chamam para surfar, mesmo quando eu estou livre, eu digo que não, não vou surfar. Quero ficar concentrado no que estou fazendo. Eu vi que estou bem compenetrado porque não estou indo surfar.

Tem tido algum cuidado especial com o corpo e com sua mente para este reality?
Tenho feito bicicleta, corrida e alongamento. Estou preparando o meu corpo o máximo que eu posso para ter um bom desempenho. Fico estudando até não aguentar mais. A professora que tem que pedir para parar e dizer ‘chega’. Estou dando o meu máximo. Não me permito ter preguiça nesse momento. E o meu ego é o menor que existe no mundo no momento.

Você assistiu a primeira temporada do Dancing Brasil?
Sim.

Então você viu que os jurados não são sutis em suas avaliações. Está preparado para as críticas?
Eles podem pisotear em mim. Se eles pisarem em cima de mim não tem problema, foi isso que aconteceu comigo nos últimos dez anos. Vou escutar tudo o que eles têm para me falar, sem retrucar. Só vou agradecer por eles me apontarem os meus erros.

Você estreou na TV como assistente de palco da Xuxa. Como foi esse reencontro?
É um recomeço em minha vida. Foi uma época de vitórias na minha vida. Eu vim de Pelotas (RS), fiz um teste com mais de 3 mil pessoas e a Marlene Mattos me escolheu. Liguei para a minha mãe para falar que havia conseguido meu primeiro emprego na Globo. Meus amigos comemoraram. Sempre foi meu sonho trabalhar com a Xuxa e nunca tive vergonha de dizer que assistia a Xuxa, como meus amigos tinham.

Quando vocês se reencontraram, houve alguma conversa mais nostálgica?
Não, eu estou muito travado. Eu tenho o respeito máximo pela Xuxa. Não quis atrapalhar ela hoje e pedir para tirar foto, tinha muita gente em torno dela. Estou muito travado. Já está muito bom só de estar aqui, sabe? Não preciso tirar foto, vou conviver com ela por um bom tempo novamente.

E sua chegada ao Dancing foi um pedido seu ou convite da Record?
A Record me convidou.

Depois que você saiu da Fazenda, a casa explorou seu personagem polêmico. E agora você é convidado para um trabalho que não exige esse seu antigo personagem. Como se sente por ter sido lembrado para esse programa?
Todo mundo que faz uma arte merece um castigo. Mas digamos que eu sou o filho que fez uma arte e a mãe prendeu no banheiro e esqueceu. Saiu com o pai para o mercado e esqueceu de tirar o filho do castigo. Mas quero deixar claro que sou muito, mas muito grato à Record por esta nova oportunidade. Tento deixar o passado para trás, mas não consigo, porque as perguntas que me fazem sempre são nessa direção.

Foto: Edu Moraes/Record TV