Foto: Divulgação

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Viciados em séries sabem como é difícil lidar com a ansiedade e afobação ao assistir ao episódio final de uma temporada. Este mix de sensações é o que a produtora-executiva Shonda Rhimes quer – e consegue – provocar em cada capítulo de sua ótima How To Get Away With Murder, do canal americano ABC, que estreia no Brasil em 5 de março pela Sony.

Responsável pelo sucesso de Grey’s Anatomy e Scandal, Shonda escalou a competente Viola Davis para ser o centro de seu suspense jurídico, interpretando a controversa advogada criminalista e professora universitária Annalise Keating.

A trama é ambientada na fictícia e prestigiada Universidade de Middleton, na Filadélfia. A professora seleciona seus cinco melhores alunos para estagiar em sua empresa e dar suporte a suas atuações no tribunal. Entre os clientes, somente réus de assassinatos. E como o título da série denuncia (“como sair impune a um assassinato”, em tradução livre), a advogada dá uma aula prática de como safar os acusados sem medir esforços. E acredite, os métodos nem sempre são ortodoxos.

Praticante do binge watching, me dei conta de que teria apenas duas horas de sono para vir ao jornal e escrever este post, após assistir a cinco episódios em uma tacada só. E é exatamente este mesmo número que vou usar para lhe convencer a assistir a How To Get Away With Murder.

1. Viola Davis
Arrisco dizer que a série poderia tomar outro rumo – negativo, talvez – se o papel de Annalise Keating tivesse sido entregue a outra atriz. Viola deu um tom soberbo, imponente e audaz à personagem motriz da trama. Embora a postura inabalável seja sustentada nos primeiros três episódios, ela mostra a vulnerabilidade da advogada gradativamente, com muito requinte.

2. Texto
As honras devem ser direcionadas a Peter Nowalk, parceiro de Shonda em Scandal e Grey’s Anatomy. As falas dos personagens, sobretudo nas cenas de investigações e julgamentos, não são prolixas – e tampouco concisas. O jogo rápido, por vezes encabeçado pela personagem Annalise Keating, instiga a curiosidade sobre a aplicação das leis americanas.

3. Aprendizes
O ‘Keating Five’ – nome dado ao grupo dos alunos selecionados por Annalise – tem cinco jovens ambiciosos, que não medem esforços para impressionar a mestre: Wes Gibbins (Alfred Enoch), o menino de origem humilde que não admite injustiças; Michaela Pratt (Aja Naomi King), a patricinha nerd e metódica que não admite estar por baixo em nenhuma situação; Asher Millstone (Matt McGorry), o rapaz bonito, bobo e atrapalhado que consegue arrancar risos moderados em cenas tensas; Laurel Castillo (Karla Souza), sedutora e perspicaz; e Connor Walsh (Jack Falahee), conquistador gay que seduz seus alvos em troca de provas e informações.

4. Plot
How To Get Away With Murder não se limita às idas e vindas do tribunal de Annalise e seu Keating Five. Enquanto clientes novos entram acusados e saem de cena – sorry pelo spoiler, mas é inevitável – absolvidos, uma trama paralela é apresentada em flash-forward: o assassinato de uma aluna, que acaba mostrando o lado sombrio de todos os ‘mocinhos’ da história. Afinal, a série precisaria mais do que as inevitáveis histórias de amor para amarrar e justificar este campo inesgotável que é o mundo do crime.

5. Edição
O uso bem aplicado do flash-forward é um ótimo artifício para transportar a audiência entre os diversos casos da trama. As idas e vindas entre o tribunal e a cena de um crime que envolve os alunos de Annalise faz com que os episódios sejam dinâmicos e ajuda a explicar aquilo que talvez não tenha sido compreendido à primeira vista.

É sempre chato ler spoilers, eu sei, mas os poucos aqui citados foram colocados propositalmente para instigar sua curiosidade pela série. Deixe reservado aí em sua agenda o dia 5 de março. A partir das 21h30, How To Get Away With Murder lhe dará motivos de sobra para se afundar no sofá e ficar vidrado nesta ótima trama.