Foto: Constança Sabença/Cora Food Concept

Foto: Constança Sabença/Cora Food Concept

Programa de culinária bom é aquele que faz o telespectador sentir vontade de lamber a tela da televisão quando o prato do dia fica pronto. Perto do Fogo, novo programa de Felipe Bronze que estreia hoje no GNT, promete causar essa sensação bem antes do ‘gran finale’. Uma conversa de 20 minutos, por telefone, foi suficiente para desejar cada uma das receitas que serão apresentadas nesta primeira temporada. A reportagem sequer teve acesso às fotos dos pratos prontos, mas o detalhamento minucioso do passo a passo das criações do chef aguçou a fome.

A grande estrela do programa é a churrasqueira. Todas as receitas que serão apresentadas, desde molho de tomate a bolo, serão preparadas na brasa. A proposta de Bronze é dar uma nova solução para alimentos que normalmente são preparados em outros equipamentos.

“Nos programas tradicionais você passa por um caminho até a comida ter um ‘tchan’. Aqui, a comida fica deliciosa no momento em que você a encosta na brasa, e ela já começa a caramelizar. É um programa que vai mostrar a versatilidade da churrasqueira e que todo mundo pode fazer”, garante.

A paixão de Bronze pela brasa é antiga – e intensa. Foram apresentadas tantas possibilidades de cocção na churrasqueira que os 13 episódios desta temporada são insuficientes para dar vazão à criatividade do chef. Confira abaixo a entrevista:

Como surgiu a ideia de fazer este programa?
Surgiu há uns dois anos, e eu apresentei o projeto ao canal. Nasceu de uma maneira absolutamente orgânica, porque é como eu faço comida na minha casa. Como eu trabalhava em lugares fechados durante a semana, de fim de semana eu quero ficar em um lugar aberto. E eu cozinho tudo na churrasqueira. Não faço só churrasco. Faço arroz, massas… Fazia tudo de maneira intuitiva, e a comida ficava muito gostosa. Os amigos sempre elogiaram. Aí me deu um estalo: olhei para isso e vi um programa lindo de gastronomia. O processo é bonito. Enquanto você está fazendo um refogado de alho e cebola na panela em casa, com a chama do fogo, a comida vai ficar bonita somente quando estiver pronta. Quando você tem a brasa, a chama incandescente, ela carameliza a cebola e o alho na brasa. Quando você olha pra panela, ela está linda. Dá vontade de comer ali mesmo. Fui olhando para isso e achei que dava um programa de TV lindo, e muito útil, porque as pessoas adoram cozinhar em churrasqueira. Talvez o churrasco seja o método de cozimento oficial do brasileiro.

Você irá explorar as culinárias japonesa, italiana e de outros países neste programa. Como?
Nessa primeira temporada eu dei um apanhado grande sobre as possibilidades da churrasqueira de brasa. Todos os povos que gostam de comida usam bastante a brasa. O espanhol adora, assim como os japoneses e os coreanos. Os italianos adoram o forno à lenha. O programa tem essa pegada internacional de como pensam os cozinheiros. E isso foi importante para mim na hora de fazer o programa. O primeiro restaurante em que trabalhei, tudo era feito na brasa. Isso foi em 2002. Todos os chefs que conheço, sem exceção, gostam de comida crua ou feita na brasa. Ou gostam de sushi, ou de churrasco. No meu programa as pessoas vão passar mal, porque os pratos e as receitas estão muito bonitos, dão vontade de comer. A comida no fogo tem uma transformação impressionante.

Foto: Constança Sabença/Cora Food Concept

Foto: Constança Sabença/Cora Food Concept

Por falar em transformação, você ainda é conhecido por muitos como o ‘Mago da Cozinha’, por conta do quadro que tinha no Fantástico. Eram soluções complexas, impossíveis de serem feitas em casa. Agora a sua proposta é algo mais simples. Por quê?
Meu primeiro programa no GNT era sobre comida descomplicada, que é a minha marca. O Mago da Cozinha era para mostrar uma cozinha espetáculo, praticada em alguns restaurantes. E é impossível você dominar esta técnica sem dominar as mais simples. Tenho 20 anos de carreira e agora, com o Perto do Fogo, eu mostro que o meu trabalho é um equilíbrio permanente entre tradição e modernidade. Não estou fazendo coisas clássicas. No meu primeiro programa eu já faço o churrasco brasileiro, que é para tirar esse tema da frente. Faço galeto, carne, farofa, mas de um jeito diferente, que eu não posso falar para não estragar a surpresa.

Ao falar de culinária japonesa, impossível não pensar em um sushi ou sashimi, que são frios e crus. O que você fará de diferente ao abordar esta cozinha?
A brasa é um elemento bem usual no Japão. Sushi e sashimi são comidas de festa. As comidas de boteco são os yakitoris, espetinhos feitos na brasa. Isso você encontra em qualquer esquina. São braseiros pequenos e estreitos que eles manejam com uma destreza inacreditável. Eu trago esta cozinha tradicional do Japão, que você encontra os ingredientes facilmente em qualquer mercado aqui do Brasil.

Onde o programa foi gravado?
Alugamos uma casa fantástica no Cosme Velho, Rio de Janeiro. Fizemos questão de não gravar este programa no campo justamente para mostrar que as receitas são para você fazer em casa. Se tiver uma churrasqueirinha pequena, dá pra fazer. Se tiver varanda gourmet, também. Basta qualquer lugar que tenha fogo.

Este é o seu terceiro programa simultâneo no GNT. Como se sente?
Isso é a verdadeira prova de fogo, ter três programas simultâneos no GNT. É um privilégio que foi conquistado com muito trabalho. Eu adoro fazer programa de TV, me divirto demais. Plantei essa semente em 2005, e já tenho 12 anos de TV. Mas, para mim, está longe de ter o jogo ganho.

Qual sua opinião sobre a popularização dos programas de gastronomia?
Com toda a honestidade do mundo, eu fico absurdamente feliz de ver que a cozinha invadiu a TV. Na verdade, a cozinha invadiu a vida das pessoas. A TV não impõe costumes, ela reflete costumes. É maravilhoso ver que as pessoas adquiriram o hábito de falar de comida. Os ingredientes vão perdendo essa aura de novidade, diferentes, impossíveis. Quando comecei a cozinhar profissionalmente, quando falava de ervas frescas era salsa, cebolinha e coentro. Quando muito tinha o manjericão. Hoje, as pessoas discutem sobre diversos tipos que estão cada vez mais populares. A gastronomia é a manifestação cultural mais óbvia de uma sociedade. Para conhecer bem um país, você tem que conhecer bem a relação das pessoas daquele lugar com a comida. Você aprende muito mais.

Qual a diferença do Perto do Fogo para os demais?
É um programa delicioso do começo ao fim. Nos programas tradicionais você passa por um caminho até a comida ter um ‘tchan’. Aqui, a comida fica deliciosa no momento em que você a encosta na brasa, e ela já começa a caramelizar. É um programa que vai mostrar a versatilidade da churrasqueira e que todo mundo pode fazer.