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imagem pixabay

Como sempre, quando falamos de coisas definitivas, papai paralisou. Mamãe também. Você já pode ter notado que fazer escolhas não é bem nosso forte. Podemos gastar horas decidindo entre o parquinho, a peça infantil, ou a estreia da Moana e no fim notar que já perdemos toda tarde.

Com seu nome também foi assim. E após muita pesquisa, conversa, discussão, debate, leitura, referência, música, chegamos enfim a duas opções.

trilha sonora:

Buscamos nomes de santo, mas todos os caminhos levaram aos seus mistérios.

E você nasceu. Com dois nomes e nenhum. Queríamos te olhar nos olhos, ler o que diziam e só então decidir.

Quando você veio, ficamos uns 15 minutos, eu e você, nos olhando enquanto levavam a mamãe para o quarto. Só nós dois. Você no meu colo. Eu chorava e você não. Era de manhã, o Sol começava a brilhar e nossas vidas também.

Mas você não me disse nada sobre o nome. Se disse, não saquei. Você só engolia o mundo com seus olhos, acho.

Minutos depois, já no seu lugar favorito, os braços da mamãe, conversávamos.

Seu nome ficou longo. Quisemos colocar todos os nossos sobrenomes. Não deixamos nenhum de fora. “O primeiro da mamãe é de índio. Fica lindo.” “O do vovô tem pegada de cantora.” Fomos juntando. Vendo como soava a nossa soma.

Fiz enquetes com todos que nos visitavam. Testava suas reações quando dizia o nome nas mais diversas maneiras e entonações. “Ah, acho que ela sorriu.”

Que mistério, pequena?

Nome de escritora. Nome de canção de Capinan e Caetano. Nome de minha avó.

O nome mais bonito.

Amor,

Papai.

24.03.17