-O Téo…,ele foi morar em uma fazenda linda, meu amor, com um monte de amiguinhos. Tem porquinho, tem vaquinha, uma coisa incrível. Ele está bem mais feliz lá. Não, nós não podemos visitá-lo. Por que não? Bem, não podemos…

Olha, na verdade, o Téo fugiu. Viu a porta aberta e saiu correndo por aí. Não, amor, ele era muito feliz aqui. Mas, às vezes, mesmo amando tudo isso aqui eles preferem explorar o mundo. Ah, até poderíamos procurar, sim, mas o mundo é tão grande, né? E devemos aceitar a vontade dele, né? Claro que ele te amava sim, coisinha. Não sei por que fugiu, ele te amava muito, mas mesmo amando, às vezes os cães, ah,…

Trilha sugerida:

Ok, o Téo foi morar no céu agora. É isso. Ele está no céu. No céu dos cachorros. É isso mesmo. Juro! Ele mora com outros cãezinhos bonzinhos que foram pra lá também. Parece que os malvados vão pra outro lugar. Não, pequena, comer o peru de natal não faz dele mau, não. O Téo está junto com os bonzinhos, prometo. Lá nas nuvens. Ou melhor, acima das nuvens! Não, não. Acho que ele não faz mais xixi lá de cima. Sim, um dia, vamos morar no céu também. Não sei se é o mesmo céu. Acho que sim. Deve ser. Se formos bonzinhos. É, o Papai Noel tá lá também, eu acho. Ih, verdade, Polo Norte. Mas o Coelhinho da Páscoa tá lá. Junto com o Téo. Junto com os duendes. Quer dizer, duendes, eu não sei bem, eles são meio lisérgicos, né? Mas os anjos, sim. Esses com certeza. Um monte de anjos e gente feliz. O céu é incrível, meu amor. Ele nunca foi tão feliz quanto lá. Não, pequena. Não dá pra ir agora pra lá. Porque não é a hora ainda. Eu sei, mas aqui também é legal. Não, sossega. Ninguém vai pro céu hoje! Temos muito que nos divertir aqui antes. Não dá pra pular a diversão toda e ir direto pra lá. É, acho que lá é pra sempre. Aqui que é temporário. Não, não dá pra dar um pulo no céu e depois voltar. Porque não dá! Esquece isso de ir pro céu.

Ok, chega. O Téo já era. Virou comida de minhoca! Acabou, tá bom? Não, meu amor, não chora. Calma. Não sei por que disse isso. Desculpa.

Olha, meu bichinho, a real é que o Téo morreu. E eu não sei o que isso quer dizer além do fato dele não poder brincar mais por aqui. Pode ser que exista um lugar mágico, pode ser que não. Simplesmente, não sabemos. Agora, o que eu sei é que antes dele ser cão, ele morava mesmo no céu. E era parte de uma estrela linda. Assim como eu, você e tudo isso aqui. Tudo estrelinha. E, no limite, voltaremos a ser parte desse todo. O Téo, mesmo tendo partido, seguirá aqui de alguma maneira. Para sempre. Como todos nós. Somos todos poeira estelar, estrelinha. Sem falar nas memórias e em tudo que construímos juntos, né? O Téo acompanhou a mamãe por muito tempo. E ela leva ele até você que também o levará adiante de alguma maneira. Isso papai tem certeza. Agora, o resto eu não sei. É contigo. Olha que legal, você pode escolher no que acreditar. E pode sempre mudar de opinião também. E ae, anjinha, onde cê acha que o Téo tá?

Então é isso: compraremos um telescópio.

(Valeu, Carl Sagan.)

Amor interestelar,
Papai. 12.05.16