As novelas que se passam em épocas contemporâneas geralmente fazem o retrato da sociedade de sua época. Assim foi com o folhetim das 7, ‘Totalmente Demais’, que chegou ao fim na última segunda-feira, 30 (com reexibição nesta terça-feira, 31, à tarde), com média de audiência que a faixa de horário não alcançava desde ‘Cheias de Charme’, de 2012 – o último capítulo ainda pode ser visto no site de entretenimento da Globo, o Gshow.

Com a preocupação de ser fiel à nossa realidade, a novela dos autores Rosane Svartman e Paulo Halm não deixou de reproduzir as famílias brasileiras em suas mais diferentes formatações. Sinal dos (novos) tempos. Como a de Rosângela e Florisval. Ela engravidou cedo de Jonatas (um dos protagonistas da novela, interpretado por Felipe Dimas), sem pai conhecido. Além dele, ela teve mais três filhos: Jeniffer, Wesley e Bola, os dois primeiros fruto de seu relacionamento com Florisval. Mas Florisval criava a todos como seu, ele fazia questão de dizer. Outra protagonista da novela, Eliza (Marina Ruy Barbosa) cresceu com a mãe, o padrasto e os filhos que o casal teve.

Carolina (Juliana Paes) tira selfie com seu filho adotivo, seu namorado, Arthur, e a filha dele

Carolina (Juliana Paes) tira selfie com seu filho adotivo, o amigo Pietro, o namorado Arthur, e a filha dele: família unida

Mas uma outra configuração ficou para o final da novela, depois de uma tocante batalha da personagem Carolina (Juliana Paes), solteira, para conseguir adotar um menino. Carolina conquistou a adoção, com o apoio de Pietro (Marat Descartes), e reatou o romance com Arthur (Fabio Assunção), que tinha uma filha de outro relacionamento. A selfie que Carolina tira com todos no último capítulo é bem emblemática.

Qual a importância de mostrar essas outras realidades de famílias ditas não tradicionais dentro da trama? Para os autores, uma novela contemporânea não pode deixar de dialogar com o que está acontecendo no Brasil e no mundo. “A gente observa novas uniões, novas famílias, realidades, tão amorosas e sólidas quanto a dita família tradicional. É importante que todas estas ‘configurações’ sejam respeitadas”, afirmam Rosane e Paulo, em entrevista ao blog. “As ‘novas famílias’ que se constroem através de laços afetivos sólidos também são um tema rico para a narrativa televisiva. É uma realidade já presente na nossa sociedade.”

A luta da personagem Carolina pela adoção foi outro ponto alto da trama, mostrando uma outra via para quem busca realizar a maternidade (ou a paternidade). “Achamos pertinente esta trilha narrativa para Carolina, uma personagem que quer ser mãe. Após várias tentativas, depois de descobrir que é estéril, fez sentido a personagem buscar o caminho da adoção – que não diminui o sentimento de maternidade pelo filho ‘escolhido’”, dizem os autores. “Além disso, é um tema que rendeu conflitos na novela além de ser uma questão importante nos dias de hoje.”