Por que é mais fácil questionar o que de errado estamos fazendo em nossa jornada como mães do que destacar as coisas positivas que oferecemos aos filhos?

Há algumas semanas, encontrei com uma amiga que foi casada e hoje vive sozinha com o filho gerado nessa relação. Quando mães se encontram, por mais assunto que tenham para tratar, falar dos filhos e dos desafios da maternidade sempre entra na pauta.

Ela me mostrou uma imagem que viu em alguma rede social intitulada “Bingo da culpa materna”. E, lógico, este é um tema que poderia gerar um livro – com vários volumes.

Comentamos que isso é algo que quase ninguém fala, até mesmo entre as mães. Foram raras as vezes em que abordei este assunto com alguma amiga – e só levantei a bola com pouquíssimas, aquelas que eram muito próximas mesmo. E mães, claro. Talvez porque sentimos que todos esperam que mães sejam perfeitas e, muitas vezes, essa exigência é muito mais nossa que dos outros.

Quantas de vocês, mães, nunca se sentiram culpadas por não estarem totalmente confortáveis com a nova vida após o nascimento dos filhos? Verdade seja dita, mas o primeiro ano da maternidade é deveras pesado e muito confuso. É ter de se adaptar a uma série de novidades – principalmente quando se é mãe de primeira viagem -, a incerteza sobre estar fazendo as coisas da melhor forma, a impotência de não conseguir dar conta de tudo etc.

Imagem que uma amiga encontrou nas redes sociais. Fotos: Potencial Gestante

Outro momento de culpa é quando, para aquelas que também trabalham fora do lar, precisam retomar suas atividades e deixar o filhos com babás, creches ou com algum familiar. Confesso que, nesta etapa, o meu maior sentimento de culpa era porque eu não via a hora de voltar ao trabalho, mas também me questionava o tempo todo se a babá que estava com os meus filhos gêmeos, tão fofos e indefesos, os tratava bem.

Quem é mãe solo sabe como é estressante ter de lidar com todas as situações e decidir tudo sozinha. Falo sobre a minha situação, pois claro que há mães solo que contam com a participação do pai em diferentes momentos – sejam educacionais ou financeiros. Mas o fato de estar diariamente sozinha com os filhos e, muitas vezes, chegar do trabalho e ter de levar ao hospital por conta de uma crise de bronquite, não dormir direito noites a fio por conta de cólicas ou outras situações é realmente muito puxado. Mas assumir isso pode parecer “injusto” ou “indigno”, pois não decidimos ser mães? Não escolhemos passar por essa rotina? Sim, mas não significa que não possamos olhar no espelho e dizermos para nós mesmas: “caramba, como me sinto exausta e como queria ter alguns momentos só para mim”.

Hoje, após muito exercício mental, consegui deixar a culpa materna um pouco de lado. Mas ainda tenho minhas recaídas. Penso em todas as vezes que briguei com meus filhos por conta desse cansaço extremo, quando perdia a paciência por ter de explicar incontáveis vezes a mesma coisa, quando falava com eles como se fossem adultos, por todos os gritos, enfim…uma culpa que me consumia, que me fazia questionar se eu era, de fato, uma boa mãe.

E por mais que as pessoas nos digam “sim, você é uma boa mãe”, acredito que é algo que precisamos sentir, talvez criar uma escala com ações que nos ajude a enxergar isso. Comecei a pensar em tudo o que construí com meus filhos até hoje, nas trocas e nos homens que estão se tornando com a minha ajuda. Passei a aceitar que não há como ser perfeita nesta atividade, que são justamente os erros e acertos que nos fazem evoluir. Que ser mãe é o maior dos aprendizados. Mais do que descobrir quem é o outro, é descobrir quem é você mesma, suas capacidades e seus limites. É ter contato com um tipo de força que até então era desconhecida. Então, vamos, sim, falar de nossos sentimentos de culpa, mas também exaltar tudo aquilo de incrível que fazemos em nosso papel de mães, cuidadoras e educadoras.

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