Dia desses, eu estava triste. Mil problemas rodopiando na minha cabeça e tirando minha paz. Passei aquela manhã inteira com minha filha. Tudo normal, tranquilo. Então, eu a deixei na van escolar, como sempre faço, e voltei para casa para me arrumar para o trabalho. E simplesmente desabei a chorar. É como se, naquele momento, sozinha, eu finalmente me permitisse extravasar toda minha fragilidade. Afinal, minha filha não estava por perto. E, assim, a imagem da mãe forte não seria maculada.
Bom, dizer mãe forte é praticamente uma redundância. Quem ousa dizer que uma mãe é fraca? Fiquei pensando nas figuras maternas da minha família. Minha mãe, minhas avós, minhas tias… Caramba, eu nunca as vi chorar – a não ser em momentos de perdas dolorosas. Mas foram pouquíssimas ocasiões, arrisco dizer. A imagem que tenho delas é de verdadeiros rochedos.

Mãe e filha. Foto: Pixabay

Acho que registrei a imagem dessas matriarcas inabaláveis e reproduzi isso dentro de casa. Minha filha me ver chorar por uma aflição ou por um problema grave que pertence unicamente ao mundo dos adultos? Nem pensar! Prefiro esperar a hora do banho e fazer com que as lágrimas escorram junto com a água corrente.
E, ao acabar de escrever a frase anterior, me lembrei imediatamente da história da mãe de uma moça que tinha uma doença grave. Essa mãe carregava aquela dor consigo e não deixava transparecer um pingo daquele sentimento para a filha, mas desabava solitariamente debaixo do chuveiro.
Me recordei ainda da trajetória corajosa de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza; e das muitas mães que vejo por ônibus e metrôs, carregando sozinhas seus bebês nos braços; e de outras tantas mães, também sozinhas, acompanhando seus filhos doentes nos arredores do Hospital das Clínicas… Como não se lembrar de todas elas neste texto? As mães fortes que, na solidão de seus banhos, certamente choram todas as tristezas guardadas em seus corações, bem longe dos olhos dos filhos.
É como se as mães não pudessem se mostrar frágeis. Como se tradicionamente fossem os grandes portos-seguros da família. Como se carregassem dentro de si um mantra ancestral: temos de ser fortes, temos de ser imbatíveis. Como se mães não chorassem.

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