Blog traz depoimentos de personalidades, executivas, blogueiras e mulheres anônimas que falam sobre suas experiências, bons e maus momentos.

“Ser mãe é maravilhoso”, “É uma experiência única”, “É um grande aprendizado”, “É saber o que significa amor incondicional”. Certamente você já ouviu essas e muitas outras frases a respeito da maternidade.

Mas ser mãe também é se sentir exausta, é perder as “estribeiras” em muitas situações, é se sentir incompreendida e, muitas vezes, culpada, é não se reconhecer ao olhar no espelho depois de muitas noites em claro, é abrir mão de um tantão de coisas. Enfim, tem muitos pontos positivos e outros nem tanto.

Porém, mais do que falar sobre como a experiência materna pode mudar a vida de uma mulher, decidimos deixar que elas próprias contassem pra gente.

Nesta semana que marca o Dia das Mães, demos voz a essas mulheres para que compartilhassem, do seu jeito, suas histórias de dedicação, luta, entrega e, principalmente, amor.

 

Dona Jacira entre os filhos Fióti (esq.) e Emicida. Foto: João Sal

“Ter um filho, para mim, é como cuidar de uma planta. Tem que molhar, apoiar, dar o melhor lugar, atenção. Cortar as arestas, separar das ervas que atrapalham, estaquear. Quando dá flor e fruto está pronto? Não. Nunca está pronto. Assim é, para mim, a maternidade, desde que recebi minha primeira filha. Foi então que chegou minha razão de viver. Abri mão de estudar para ficar perto deles. Sou egoísta, nunca os quis criados por nenhuma instituição, nem ninguém que não fosse eu. São meus projetos de vida, sou formada em desenvolvimento humano. Sou mãe. Mas nem pense que não rolou palmadas, castigos e acertos de contas. Comigo é álcool na frieira até hoje. Para mim, ponto negativo nem é a maternidade, mas sim ser mãe sem apoio. Querer ser mãe é ter que enfrentar o mercado. Mas fiz tudo o que pude fazer levando eles. Só fui trabalhar fora quando o caçula foi pro Emei (Escola Municipal de Educação Infantil). Minha habilidade manual me favoreceu. Pude, assim, dar banho de sol em todos, e brigar se necessário. Medo, este é um lado ruim. Mas, como diz minha mãe, não tenho juízo. Então, sempre tive muita esperança e desejo de dar certo. Para terminar, eu estou me lixando para este domingo, meu dia é todo dia. Mas para quem curte, felicidades!”.

Jacira Roque de Oliveira (Dona Jacira), 53 anos, contadora de histórias, bordadeira, tecelã, pesquisadora da diáspora africana e do patrimônio imaterial da humanidade, mãe de Leandro Roque de Oliveira (Emicida) e Evandro Roque de Oliveira (Fióti). 

 

 

Família reunida (da esq. para a dir.): Pierre, Heloísa, Wilhelm, Vilfredo, David e Kat. Foto: Divulgação Família Schurmann

“Sempre fui uma mulher corajosa (Ah! Que ousadia a minha. rs). Mas, com certeza, a maternidade mudou a minha vida, pois me deu ainda mais força e coragem. Há mais de 30 anos, quando decidimos trocar a terra firme por uma vida a bordo, muita gente me questionou. Porém, como mãe, eu sentia que aquela decisão, não “convencional”, me ajudaria a mostrar o mundo para os meus filhos e, ao lado deles, a conhecer novos povos e culturas. E esse foi um estímulo a mais (e muito importante) para seguirmos nossos sonhos. Anos depois, quando fomos escolhidos para adotar a Kat, um médico tentou nos afastar dessa ideia com o pior “diagnóstico” possível. Mas o amor incondicional de mãe me encorajou ainda mais! A maternidade me fez “desobediente” e, assim, derrubei as pessimistas previsões daquele especialista e vivi anos intensos e felizes ao lado da nossa estrelinha. Essa coragem talvez seja um dos pontos mais positivos da maternidade, pois ela nos recompensa com momentos de imenso amor e felicidade. E, quando se busca por aquele aspecto não tão positivo assim, penso que, algumas vezes, assim como outras questões ou acontecimentos, a maternidade acaba servindo como “desculpa” para algumas renúncias. Sou mãe sim, mas sempre fui uma mulher consciente da minha individualidade. Não me anulei ou nunca utilizei a maternidade como justificativa para deixar de fazer que sempre sonhei fazer”.

Heloisa Schurmann, velejadora, pesquisadora, palestrante e escritora, mãe de Pierre, Wilhelm, David e Kat (filha adotiva já falecida – história que virou roteiro de cinema e deu origem ao filme Pequeno Segredo). Veja aqui.

 

 

 

Shirley Hilgert, mãe do Leo e do Caê. Foto: Paula Carpi

“A maternidade mudou a minha vida em muitos sentidos. Mas alguns deles eu posso destacar. Na verdade, o nascimento do meu primeiro filho acabou me presenteando com a descoberta de um talento e com a realização de um sonho antigo. Eu me descobri como comunicadora e realizei o sonho do empreendedorismo, que já nutria há tempos, por meio da criação do Macetes de Mãe (Blog, Canal e redes sociais). Para mim, ser mãe, apesar das dificuldades (cansaço, desafios da educação, luta diária para conciliar tudo), é a maior realização que uma mulher pode ter. Essa é uma experiência que acaba nos trazendo descoberta, reencontro, crescimento e uma enorme oportunidade de contribuir positivamente com o mundo”.

Shirley Hilgert, 38 anos, mãe do Leo e do Caê, YouTuber idealizadora do canal Macetes de Mãe (www.youtube.com/macetesdemae) e autora do blog Macetes de Mãe (www.macetesdemae.com).

 

 

Ducha Lopes com os filhos Joana (esq.) e Vicente. Foto: Arquivo pessoal

“Acho que como é pra toda mulher, a maternidade mudou minha vida 100%. Antes das crianças nascerem eu acordava e pensava no que EU ia fazer, o que seria bom para MIM ou como o seria o MEU fim de semana, enfim, uma programação voltada totalmente às minhas necessidades. Quando meus filhos nasceram, tomaram conta da minha vida e, de uma, virei 3. De repente, tive de pensar nas necessidades e desejos de mais duas pessoinhas. Mas, apesar dessa grande mudança, foi muito bom perceber que eu não precisava deixar de ser “eu” pra virar apenas “nós”, deixar de lado tudo aquilo que me dava prazer. A diferença? Percebi que tudo o que eu gostava de fazer, podia fazer com as duas melhores companhias do mundo. Hoje, acordo e penso primeiro no que nós vamos fazer, o que será bom para nós, e como será o nosso fim de semana. Ser mãe colocou tudo sob outra perspectiva e me fez conhecer um tipo de amor que realmente é para sempre. É muito, muito bom ser mãe da Joana e do Vicente.”

Ducha Lopes, diretora de produção executiva da agência DPZ&T, mãe da Joana e do Vicente.

 

 

Vitória e Miguel. Foto: Arquivo pessoal

“A maternidade mudou minha vida em diversos aspectos, me fez de uma menina, uma mulher forte. Impossível pensar em cada desafio que viria, e eu apenas com 19 anos. Apesar de todo receio, medo e problemas que viriam com tamanha responsabilidade, eu posso dizer, com toda certeza, foi a melhor coisa que me aconteceu. Entretanto, nem tudo são flores, a maternidade também tem seus dias difíceis, realmente educar é muito difícil, e o Miguel tem muita personalidade. Apesar de muitas vezes termos medo de enfrentar novos obstáculos, deixamos nos enganar achando que nossos sonhos chegaram ao fim, mas quando superamos este obstáculo, nos damos de conta de que os nossos sonhos não chegaram ao fim, apenas ganhamos mais um parceiro para nos ajudar a alcançá-los”.

Vitória San Martin, 21 anos, Estudante, mãe do Miguel.

 

 

Monica Rabelo entre os filhos Victor e Cesar. Foto: Arquivo pessoal

“Tive minha primeira gestação aos 17 anos e a segunda aos 25. Ao ser mãe eu descobri quem eu era por dentro. Meu leite materno transbordou por um ano e dois meses de tanta alegria, meu cabelo teve um brilho incomparável, minhas unhas ficaram mais fortes, só melhorei desde que meus filhos entraram na minha vida. Me divorciei, passei por dois câncer de mama e, hoje, sou mais forte por ter formado dois homens com aquilo o que eu mais tinha dentro de mim: o meu amor. Essa é a coisa mais positiva. Por outro lado, você acaba perdendo um pouco a sua individualidade e algumas coisas não consegue mais fazer sozinha por um bom tempo. Um exemplo é que nunca mais consegui comer algo sozinha ou por completo (rs)”.

Monica Rabelo, 46 anos, psicóloga especialista em dependência química, mãe do Victor e do Cesar.

 

 

Divacy Rocha de Lima e Anna Maria. Foto: Arquivo pessoal

“Ser mãe sempre foi uma vontade que eu tive. Esse desejo ficou ainda maior quando percebi que estava realizada profissionalmente, com uma carreira encaminhada e por estar apaixonada pelo meu marido. Tentamos uma gravidez da maneira convencional, mas as tentativas não tiveram sucesso. Embora a gente tenha consciência de que o número de mulheres e homens com problemas de infertilidade seja alto e que o estilo de vida das pessoas tem relação direta nisso tudo, nunca imaginamos que um dia passaríamos por um problema desses. Optamos pela fertilização in vitro. Não foi fácil, pois estava em uma idade de muito risco, com 49 anos. A cada tentativa frustrada repensava em todo o sofrimento que teria que passar de novo e no dinheiro que todo aquele processo iria necessitar. Não sei de onde consegui tirar forças. Meu marido sempre esteve muito presente em cada etapa do processo e me ajudou muito. O sonho de ser mãe falava mais alto.

Na terceira vez, a ansiedade era quase que incontrolável e a angústia para saber se daria certo tomou conta da gente. Recebemos, então, a notícia que mudaria as nossas vidas. Estava grávida da Anna Maria. Foi a surpresa mais feliz que poderíamos receber. Não sabia como expressar tanta felicidade. Só quem deseja muito ser mãe e realiza esse sonho consegue entender a sensação. Indescritível. Tive uma gestação muito tranquila e feliz. Fui muito paparicada, amada e tive meus desejos atendidos. O momento do parto foi maravilhoso.

A nossa pequena Anna Maria hoje está com 1 ano e 5 meses. Tem pais babões por esse olhão azul e um sorriso que nos deixa até desnorteados. Estamos a cada dia mais apaixonados por ela. Posso dizer que me tornei uma pessoa bem melhor e ainda mais sensível. Amor de mãe é amor que dói. Hoje, tudo o que fazemos é pensando no bem dela. Aprendemos o que é viver ainda mais para o outro. O que é desejar ainda mais o bem do outro. Tudo aconteceu no momento que deveria acontecer e o único ponto negativo (na verdade, não diria que é negativo, mas, sim, difícil) é conciliar a tripla jornada de mãe, mulher e empresária aos 51 anos. Dificuldades existem, mas estão aí para que possamos provar para nós mesmas o quanto somos fortes e determinadas quando o desejo maior é a felicidade”.

Divacy Rocha de Lima, 51 anos, empresária, mãe da Anna Maria.

 

 

Rita com seu filho Samuel. Foto: Felipe Rau/Estadão

“A maternidade me deslocou daquela perspectiva do ‘eu sou meu trabalho’, eu era muito focada no meu trabalho. Acho que a maternidade trouxe para mim essa coisa de sentir prazer de estar colocando uma pessoa legal nesse mundo. Como sou mãe de menino, eu quero um menino legal, que não seja machista, que respeite mulher, que saiba que as coisas da casa são responsabilidade dele também. Essa coisa de você passar por esse mundo deixando uma herança. Quero que ele seja um menino feliz, que ele faça a diferença, seja gentil, tolerante e um menino não machista. Acho que a maternidade é ruim quando ela é uma imposição, não acho que toda a mulher nasceu para ser mãe, porque ser mãe é uma doação muito grande, você tem que querer se doar. Então, quando você quer ser mãe, nunca vai ser ruim, por mais perrengues que você passe. Acho que a maternidade, quando é uma escolha, é sempre boa”.

Rita Lisauskas, 40 anos, blogueira do Portal do Estadão, autora do livro ‘Mãe sem manual’ e mãe de Samuel.

 

 

 

Adriana e Sofia. Foto: Arquivo pessoal

“Ser mãe estava nos meus planos desde que eu tinha uns 20 e tantos anos. Não sabia exatamente quando isso iria acontecer, mas eu sabia que iria. Depois que Sofia nasceu, em 2008, minha vida virou de cabeça para baixo. E minhas perspectivas de vida mudaram completamente. O tempo passa a ser um artigo precioso, que não pode ser desperdiçado com pessoas que não agregam nada à sua vida ou com situações que podem ser perfeitamente evitadas ou solucionadas. Você simplesmente foca no que é importante, para tentar conseguir dar conta das suas coisas e para ter tempo para seu filho. Você vai ter a sensação que não tem mais tempo para você mesma, e, pode ter certeza, isso não é só sensação. É interessante perceber também como os objetivos mudam após a maternidade: se antes, por exemplo, meu sonho era morar no exterior – o que eu consegui realizar parcialmente -, agora meu desejo é levar a minha filha pra conhecer o mundo. Ser mãe não é nada fácil, e, muitas vezes, você vai, sim, se sentir culpada, vai, sim, se sentir exausta, e vai, sim, achar que está fazendo tudo errado. Mas aí seu filho te consola, compartilha com você uma descoberta, tem uma atitude bacana com o amiguinho ou simplesmente diz que te ama, e você vai pensar: ‘está tudo bem, estou no caminho certo'”.

Adriana Del Ré, 41 anos, jornalista, idealizadora e editora de conteúdo do Blog Família Plural, mãe solo da Sofia.

 

 

Claudia e os gêmeos Guilherme e Vinícius. Foto: Arquivo pessoal

“Quando você diz a alguém que sua gravidez foi uma surpresa, as pessoas te olham meio torto, com aquele semblante de quem pensa: ‘ah, surpresa? Tá bom’. Mas sempre digo que, de fato, me surpreendeu, pois só fui saber que estava grávida quase no terceiro mês. Quando descobri que eram gêmeos, então, foi avassalador. O tempo todo ficava pensando em como seria, como daria conta de duas crianças. Diferentemente do que muitas mulheres relatam, a minha gestação não foi do tipo novela ou comercial de TV, com tudo lindo e maravilhoso. Tive muitos sangramentos e um parto prematuro. O primeiro ano foi bem difícil, a adaptação, a mudança radical na rotina, o cansaço extremo. Mas com o passar do tempo, além do choque de realidade – porque a maternidade é mesmo reveladora em muitos sentidos, principalmente no que se refere à percepção sobre os seus próprios pais – você vai descobrindo elementos, qualidades e capacidades que você nem sabia que estavam ali. Em 16 anos, tive muitos momentos difíceis, mas outros tantos maravilhosos. E assim será até o fim. Fui presenteada com a oportunidade de conviver com dois seres maravilhosos, amorosos, gentis e genuinamente generosos. Posso dizer que tenho aprendizados diários e que ganhei mais dois títulos para a vida: mãe e educadora. Serei eternamente grata e apaixonada pelos meus meninos Guilherme e Vinícius por, constantemente, despertarem o melhor e o pior em mim, mas também por me ajudarem a conviver e a lidar com isso”.

Claudia Pereira, 42 anos, jornalista, idealizadora e editora de conteúdo do Blog Família Plural, mãe solo dos gêmeos Guilherme e Vinícius.

 

Colaborou Adriana Del Ré.

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