Conversamos com Regina Berzins, mãe do Lucca, novo bebê Johnson’s que possui síndrome de Down; ele encantou a todos e ganhou a internet em filme da DM9DDB.  

Hoje, o Família Plural vai contar a história do Lucca e de sua mãe Regina. Ele, 1 ano e 2 meses, fofinho, simpático, esperto e, como diriam os mais antigos, formoso. Lucca é o novo bebê Johnson’s. Ela, 38 anos, empresária, e uma mulher que depois de duas gestações se encontrou diante de um desafio: fazer com que o mundo entenda que seu filho com síndrome de Down (SD) é como toda e qualquer criança.

Mas, antes de embarcar nesta jornada com a Regina, vamos voltar alguns meses nesta narrativa.

Depois das gestações dos filhos Enzo, 12, e Gabriel, 16, Regina e o marido, Rafael Caetano, 39, descobriram, no terceiro mês da gravidez de Lucca, que ele nasceria com Down. “No início foi um choque, aquela mania do ser humano de querer a perfeição em tudo. Tive um pouco de preconceito no começo”.

Lucca, 1 ano e 2 meses, é o novo bebê Johnson’s. Foto: Divulgação

Em conversa com o blog, ela relatou que este preconceito veio do fato de não entender muito sobre o assunto e também do despreparo da primeira médica que a acompanhou durante o pré-natal. “Falta muita preparação médica para o assunto. A primeira obstetra que me acompanhou sugeriu o aborto, acredito que por total falta de preparo. Algo do tipo: não está perfeito, descarta. Após cinco meses, decidimos seguir com outra profissional”.

Com a decisão, Regina optou por uma especialista em partos de risco. A nova médica tratou sua gravidez com mais tranquilidade e leveza. “Crianças com Down têm grandes chances de desenvolver problemas de saúde. A médica foi me preparando para isso e falando abertamente sobre tudo. O Lucca não tem nenhum problema. Durante o processo, achei importante a forma como ela foi contando, de forma leve, mas me preparando”, comenta Regina.

A mãe explica que o começo foi um pouco difícil, mas que no dia a dia o trabalho que ela tem com Lucca não é muito diferente do que teve com os dois primeiros filhos. “Para mim não tem diferença nenhuma nos cuidados como mãe, é o cuidado normal como se tem com outros bebês, que vão ao pediatra, ao pronto socorro. Para mim ele é um bebê normal. A síndrome é uma questão à parte. Como mãe de três filhos não vi diferença em relação a isso”. E completa: “não muda muito o estímulo que se tem com bebês sem Down para os que possuem a síndrome. O que muda é a frequência. É preciso brincar mais, ativá-lo mais. Todo brinquedo que qualquer criança possui ele também tem”.

Lucca com Regina, o pai e os irmãos. Foto: Divulgação

Regina aponta que a falta de conhecimento não é apenas de especialistas, mas também da grande população. Quando questionada sobre o fato de muitas pessoas olharem para ela “penalizadas” por acharem um fardo ter um filho com SD, ela responde sem titubear: “Falta as pessoas conhecerem essas crianças ”.

Sobre Lucca ter sido escolhido para ser o novo bebê Johnson’s, diz que as “as empresas têm de mostrar ao mundo que dentro das diferenças somos todos iguais”.

Viralizou na internet

Criado pela agência DM9DDB, o filme que traz o bebê Lucca como personagem atingiu, em menos de uma semana, mais de 12 milhões de visualizações no YouTube e seis milhões no Facebook, canal que contou ainda com mais de 35 mil compartilhamentos do vídeo que tem a assinatura “Para nós e para todas as mães, todo bebê é um bebê Johnson’s”.

Para Nizan Guanaes, sócio-fundador da DM9 e do Grupo ABC e que assina a criação da campanha, a marca tem na sua essência a família e, nos últimos anos, tem acompanhado as demandas de criar comunicações que tragam famílias mais plurais e diversas.

O criativo explica que “a ideia de trazer uma criança com síndrome de Down para estrelar o filme surgiu de uma foto que vi em uma matéria de revista, uma causa pela qual uma amiga luta. Achei a coisa mais linda. Falei disso com Johnson & Johnson, que abraçou a ideia”, e completa, “uma grande campanha é uma grande ideia que encontra um grande cliente”.

Nizan Guanaes: “O mundo tem tanta demanda que sempre será devedor”. Foto: Divulgação

Sobre o fato de as pessoas desconhecerem temas importantes para a sociedade, como a síndrome de Down, o publicitário, que também é embaixador da Unesco, disse que a sociedade caminha em círculos, que o mundo é desigual em tudo e que é só assim que a sociedade avança. “O mundo tem tanta demanda que sempre será devedor”.

O fato de trazer um bebê com Down em vídeo exigiu, de acordo com Guanaes, todo um cuidado e um processo de captação de informações prévios “para sabermos se não cometeríamos nenhuma gafe. Conversamos com mulheres que são mães de bebês com Down para entender como poderíamos falar sobre isso da melhor forma. Ainda mais em um mundo repleto de ‘lovers’ e ‘haters’, precisa mapear tudo muito bem”.

A comunicação pegou em cheio não apenas as mães e os pais de filhos com Down, mas um púbico diversificado, que tem muito ou algum tipo de interesse em causas. “Essa campanha é sobre crianças brancas, negras, asiáticas. É emblemática. Foi uma comoção social, e a forma como chegou, organicamente, às pessoas, foi algo que poucas vezes vi nos meus 35 anos de carreira”.

Diversidade e inclusão

Dentre os muitos aspectos positivos dentro da comunicação criada por Johnson & Johnson está o fato de que a área de comentários do vídeo, tanto no YouTube quanto no Facebook, se transformou em uma espécie de “diário materno”, em que mães começaram a escrever suas experiências com seus bebês e a síndrome de Down.

“Acredito que seja um marco para a Johnson’s, essa campanha é um divisor de águas, trouxemos nossas credenciais, o que sabemos sobre relação entre mães e filhos, nossas pesquisas e 125 anos de história para falar sobre diversidade e inclusão. Essa história é muito relevante e permitiu que outras pessoas falassem sobre um tema que, normalmente, não se fala”, explica José Cirilo, Diretor de Marketing da Johnson & Johnson Consumo do Brasil, e completa: “Nossa causa é pela inclusão de todos os bebês, permitir que todos eles tenham um crescimento saudável e feliz. Quando decidimos colocar o Lucca como protagonista, pensamos que ele tinha um papel na sociedade. Os pais com filhos com SD não se sentem representados. O que fizemos como líderes foi dar voz a uma parte da população que não se comunica. Tanto é que a maioria dos comentários foi de pais e mães com bebês com SD”, explica o executivo.

José Cirilo, da J&J: “Os pais com filhos com SD não se sentem representados”. Foto: Sergio Prado

De acordo com Cirilo, o plano para ser cada vez mais uma marca plural continua. “Queremos gerar outras conversas no meio social, dar voz a outros temas. Traremos temas e conversas de forma estruturada, mostrando que toda criança pode ser um bebê Johnson’s. Queremos validar essa relação da mãe com o filho.”

O diretor de marketing comenta que este tema não é novo para a empresa, “apenas trouxemos um conteúdo novo. A diversidade já ocorre há algum tempo dentro da companhia. Queremos dar voz à diversidade”, finaliza.

Mande sua história ou sugestões de matéria para os e-mails familiaplural@estadao.com e familiaplural@gmail.com

Acompanhe a gente também no Facebook: @familiaplural