O blog entrevistou Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade e Responsabilidade Social do Carrefour Brasil, para saber mais sobre essa ação e o posicionamento da empresa em relação ao respeito à diversidade

No último domingo, 29, o Carrefour celebrou o Dia da Visibilidade Trans postando, em sua página oficial no Facebook, o Carrefour Brasil, as fotos de suas colaboradoras trans Luana e Marcelle, junto com o seguinte texto: “Aqui no Carrefour, celebramos a diversidade todos os dias. Além de contarmos com pessoas trans trabalhando com a gente, oferecemos curso de capacitação em varejo para aumentar suas chances de ingresso no mercado de trabalho. Para nós, todos devem ser respeitados e ter as mesmas oportunidades”.

A ação foi muito elogiada pelos seguidores da rede, contabilizando cerca de 104 mil reações e mais de 21 mil compartilhamentos. Uma dos destaques da postagem, Marcelle é frente de caixa em um hipermercado Carrefour em São Paulo. “Eu me perguntei muitas vezes se seria aceita ou não por uma empresa, se poderia ser respeitada no local de trabalho. Estou no Carrefour há mais de um ano e posso dizer que é possível ter respeito e amor no trabalho. Sempre fui muito bem tratada pelos meus colegas e clientes, as pessoas gostam de mim e reconhecem o meu esforço. Isso é muito importante, para que todo mundo, empresa e funcionários, pensem da mesma forma”, diz Marcelle, ao blog Família Plural.

“O primeiro passo para conseguir ter uma profissão é se dedicar. Eu sou técnica em tecnologia e administração. Não fiz faculdade, mas acho válido ter uma graduação para seguir a carreira administrativa. Não sou uma pessoa imediatista, por isso estou indo por partes”, completa ela.

As colaboradoras Luana (E) e Marcelle. Foto: Reprodução/Facebook

As colaboradoras Luana e Marcelle (D). Foto: Reprodução/Facebook

O blog entrevistou também Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade e Responsabilidade Social do Carrefour Brasil, para saber mais sobre essa ação e o posicionamento da empresa em relação ao respeito à diversidade.

Leia a entrevista abaixo:

Quando o Carrefour passou a contratar pessoas trans em seu quadro de funcionários?
Desde 2013, a rede conta com o Programa Valorização da Diversidade, causa adotada também pelo Instituto Carrefour em 2015, que visa promover a inclusão e, como o nome diz, valorizar a diversidade junto a seus colaboradores, clientes e parceiros.

Qual a importância de abrir espaço para as pessoas trans dentro da empresa e, consequentemente, dentro do mercado de trabalho?
Acreditamos que promover o respeito aos Direitos Humanos e a viabilização da inserção econômica são fundamentais para garantir o desenvolvimento sustentável da sociedade. E, além disso, acreditamos que a convivência com diferentes estilos aproxima as pessoas, por isso, trabalhamos diariamente para criar um ambiente no qual colaboradores e clientes se sintam bem em ser como são, podendo expressar sua essência e individualidade.

As pessoas trans trabalham atualmente em quais áreas do Carrefour?
Atualmente, as colaboradoras trans do Carrefour atuam nas lojas da rede em diversas funções, como, por exemplo, frente de caixa, patinadoras, auxiliar de padaria, auxiliar de setor de eletroeletrônicos, dentre outras. As pessoas trans podem se candidatar a todas as vagas disponibilizadas pelo Carrefour pelos processos seletivos regulares disponíveis nas células de seleção e lojas da rede espalhadas pelo Brasil. Os processos seletivos do Carrefour adotam como critério as competências individuais e exigências da vaga, sem qualquer distinção por raça, religião, idade, gênero, aparência, orientação sexual e identidade de gênero. Todos os parceiros do Carrefour envolvidos nas seleções têm seu trabalho orientado e acompanhado regularmente pelos critérios definidos pela Plataforma de Valorização da Diversidade.

Vocês oferecem curso de capacitação em varejo para aumentar as chances dela no mercado de trabalho, certo? Onde e com que frequência esses cursos são ministrados?
O Carrefour apoia o projeto social chamado Conexão Varejo. Desenvolvido pela ONG Rede Cidadã e também apoiado pela Fundação Carrefour, o projeto forma em média mais de 2 mil novos profissionais a cada ano. O programa tem como objetivo capacitar jovens e adultos para atuação específica no setor de varejo alimentar. Desse total, cerca de 30% dos formados são incorporados ao quadro da companhia. O Conexão Varejo é aberto a todos os públicos, porém conta com turmas específicas para pessoas trans. O curso de capacitação tem carga horária de 60 horas, sendo as primeiras 40 horas destinadas à formação pessoal, auto conhecimento e desenvolvimento humano. Este módulo aborda questões diversas, como auto-estima, empoderamento pessoal, técnicas para aumentar a atenção e concentração. Os alunos também contam com orientação profissional e formação especializada em varejo com conteúdo desenvolvido pela escola de supermercado Abras. Após a conclusão do curso, os jovens e adultos são selecionados para um banco de talentos e depois podem participar dos processos seletivos das empresas parceiras do projeto da Rede Cidadã.

Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade e Responsabilidade Social do Carrefour. Foto: Divulgação

Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade e Responsabilidade Social do Carrefour. Foto: Divulgação

Funcionários trans do Banco do Brasil, por exemplo, podem usar nome social em crachás e assinaturas. Isso já acontece no Carrefour?
Sim. Dentre as principais práticas determinadas pela Plataforma Valorizamos a Diversidade estão o uso do banheiro de acordo com a identidade de gênero e a adoção do nome social escolhido pela pessoa em toda a sua identificação nas dependências da empresa, como por exemplo, crachá e monitor da frente de caixa, dentre outras práticas já inseridas em nossa rotina.

Qual a importância de as empresas estarem alinhadas a questões da diversidade e levarem isso para seu dia a dia?
A inclusão de pessoas trans é um tema recente e nem sempre fácil de se lidar, porque pode trazer dúvidas e conflitos. Ter um Programa estruturado é fundamental, pois reafirma o compromisso da empresa com a inclusão de todas as pessoas e fornece as informações necessárias para que os colaboradores saibam como lidar nas mais diversas situações. A inclusão de pessoas trans traz muitos benefícios, mas o principal deles é cultivar a cultura do respeito a todos e todas. A medida que a empresa foca nas competências essenciais para o negócios e o profissional pode ser quem é, ele pode empregar 100% das suas capacidades para fazer bem seu trabalho. Além disso, há uma melhoria para o clima organizacional, uma vez que as mensagens principais são de que a companhia pratica o respeito, a interação, o diálogo, a colaboração, o acolhimento. Ou seja, a empresa valoriza as pessoas.

Desde quando vocês usam a cartilha de valorização da diversidade e em que ela consiste?
O Carrefour lançou a cartilha “Valorizamos a Diversidade” em 2014. Trata-se de um material de uso interno que faz parte da Plataforma Valorizamos a Diversidade com o objetivo de orientar as lideranças da companhia a encontrar a melhor maneira de lidar com a diversidade no dia a dia. A cartilha reúne o que é a diversidade e as boas práticas e valores da companhia, trazendo ainda orientações sobre como solucionar possíveis situações de conflito em cada um dos recortes de diversidade. Além disso, a rede conta com um Comitê de Valorização da Diversidade se reúne regularmente na empresa a fim de monitorar a demografia interna, acompanhar e aprimorar os resultados dessas ações e garantir que o tema diversidade seja transversal em toda a companhia.

Uma das seguidoras da página do Carrefour Brasil no Facebook disse que já presenciou atitudes homofóbicas por parte de funcionários em uma unidade. Quando isso acontece, o que o cliente precisa fazer? E como a empresa age nesses casos?
Conforme descrito em sua cartilha “Valorizamos a Diversidade”, o Carrefour não pratica, não aceita e não é conivente com qualquer prática de discriminação. Algumas situações, dependendo da gravidade, podem exigir medidas formais contra quem as pratica, muitas delas amparadas por legislação específica. Para evitar que isso aconteça, a cartilha orienta o comportamento dos colaboradores a fim de coibir tal prática e ensinar como lidar com ela de forma firme, porém, sempre respeitosa, independentemente de onde venha, de um colega ou mesmo de um cliente. Diariamente temos contato com milhares de pessoas e com a diversidade de características que possuem. Estamos sujeitos a lidar com práticas de discriminação e precisamos evitá-las e, nesse sentido, nossos colaboradores têm papel fundamental. Respeitar é interagir, dialogar e colaborar para que nosso ambiente de trabalho seja aberto, acolhedor, com gente que possa se expressar e fazer o seu melhor.

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