Vídeo de Jout Jout viraliza na rede e livro infantil “A Parte Que Falta”, do norte-americano Shel Silverstein, entra para a lista dos mais vendidos

Essa semana, chamei uma grande e querida amiga no bate-papo do messenger, a Kátia Arima, a quem carinhosamente chamo de minha irmã japa. Lá pelas tantas, ela me envia um link, o vídeo da Jout Jout falando sobre o livro “A Parte Que Falta”, do autor norte-americano Shel Silverstein, publicado no Brasil pela Compahia das Letrinhas.

O conteúdo logo viralizou na internet. E após ver e ouvir a blogueira lendo o livro e se emocionando com aquele personagem que estava sempre em busca de sua metade, pensei: será que estamos sempre em busca da parte que nos falta ou da que nos completa? Pode parecer redundante isso, afinal, o que acabei de escrever não seria a mesma coisa – a parte que falta e a parte que completa?

Concluí que não. Buscar algo que falta é diferente de buscar algo que completa. É mais ou menos como o velho ditado do copo com água: “está meio cheio ou meio vazio”?

Jout Jout durante o vídeo em que fala sobre o livro “A Parte que Falta”/Reprodução

Será que não estamos sempre mais preocupados com o que falta em nossas vidas que acabamos não percebendo que, no dia a dia, passamos por muitos momentos e situações que nos completam? Será que, mesmo com tantos artigos e teorias sobre felicidade, de que ela está dentro de nós, não a buscamos ainda no outro? Ok, Tom Jobim já dizia na linda música Wave que “é impossível ser feliz sozinho”, mas até mesmo a canção do Tom pontua: estamos, de fato, prestando atenção nas coisas que podem nos fazer felizes e que independe do outro? A brisa, o mar, as estrelas que esquecemos de contar….

Em vários trechos do livro o autor sinaliza para esta “falta de atenção” do personagem, que está tão preocupado em encontrar o encaixe perfeito que em sua jornada não percebe o quanto diversos acontecimento o deixam feliz, o satisfazem, quantas coisas ele aprende em seu percurso, quantos encontros alegres tem, quantas trocas. Tudo porqe ele está em busca do que falta e não do que completa.

Parte do livro em que o personagem acredita ter encontrado a parte que faltava/Reprodução

Talvez seja esse um dos grandes segredos da vida: no dia em que deixarmos de buscar algo é game over, significa que nada mais importa. Porém, a grande sacada nesta estrada que se chama vida é não deixar de prestar atenção no percurso, nas relações que desenvolve, nos desafios que enfrenta e nas vitórias que conquista – não importa qual seja o tamanho desse triunfo.

E, muitas vezes, quando achamos que encontramos o que tanto nos faltava, vem a vida dizer que ainda há muito mais por descobrir. O fato de sempre buscar algo não significa ser uma pessoa insatisfeita ou infeliz, mas a forma como busca faz toda a diferença. Já parou para pensar se você está buscando o que te falta ou o que te completa/complementa? E tudo bem estar sempre em busca. É natural do ser humano. Afinal, somos dinâmicos, curiosos, inquietos. O tempo todo nos questionamos sobre o que faz ou não sentido.

Outro ponto é: de que forma essa “eterna busca” impacta suas relações. Delicadamente, o autor mostra que para o personagem “faltar uma parte” era positivo, pois como não conseguia rolar em alta velocidade (ele tem um formato arredondado), tinha a chance de conferir o que ocorria ao seu redor como, por exemplo, parar para conversar com uma minhoca, sentir o perfume de uma flor e curtir o momento que ele achava o melhor de todos: interagir com uma borboleta.

Será que não estamos perdendo momentos com nossos familiares, amigos e parceiros por estarmos numa roda viva que nos faz querer estar sempre à frente, sempre resolvendo tudo para ontem e a todo momento buscando coisas que, no fundo, já encontramos, mas achamos que não?

Lição que fica? Prestemos mais atenção no que nos completa do que naquilo que nos falta. Que possamos ser parte completa de nós mesmos e nos manter sempre em movimento, ter a consciência de que não apenas nós estamos em busca, mas que o outro também está: seu filho ou filha, seu companheiro ou companheira, seus pais, seus amigos. Talvez você possa ser o complemento de alguém e estava tão preocupado com o que faltava em si que não teve tempo de prestar atenção.

Veja o vídeo no canal Jout Jout Prazer: