Por Maíra Zimmermann e Monayna Pinheiro

O tema sustentabilidade tem se tornado recorrente e necessário. Porém, apesar de todos os esforços empreendidos pelo mercado de moda e consumidores em repensar as relações entre produção e consumo, muito ainda há de ser realizado para que possamos em breve experimentar relações mais éticas no chamado mundo da moda.

Parece que as sucessivas denúncias quanto às condições exploratórias das relações de trabalho por empresas brasileiras já não surtiram tanto efeito: tomávamos conhecimento da situação, mas pouco fazíamos em relação a ela.

Acostumados com a comunicação por imagens, inseridos na “sociedade do espetáculo”, foi difícil fecharmos os olhos ao documentário The True Cost (2015, Dir.: Andrew Morgan), que explora o impacto impiedoso da indústria da moda tanto no meio ambiente quanto nas relações humanas e sociais.

Na busca de soluções, o movimento internacional Fashion Revolution se estabeleceu no Brasil. O grupo propõe um trabalho em conjunto, entre sociedade e indústria, no sentido de buscar mudança nos padrões de produção e consumo para alcançar um patamar mais sustentável e ético.

Em novembro acontecerá em São Paulo a primeira semana de moda sustentável do País, a Brasil Eco Fashion Week – BEFW. De acordo com o Labfashion, “com os objetivos de sensibilizar, inspirar e fomentar a moda ética e consciente. Nasce como resposta à crescente demanda contemporânea por um mercado de moda engajado com valores humanos e preservação ambiental”.

O Fashion Revolution criou o projeto KICK OFF // Novos Designers buscando encontrar estudantes que desenvolvam trabalhos que unam criatividade à consciência socioambiental. Os selecionados para o projeto terão a oportunidade de expor seus trabalhos na BEFW.

A coleção Dis-funcional é inspirada na crítica aos excessos que marcam a indústria de moda rápida

Formada pela FAAP, a estilista Helena Kerr foi selecionada para a exposição. Sua coleção DIS-FUNCIONAL é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado na Faculdade. Sua inspiração vem principalmente da crítica aos excessos que marcam o funcionamento da indústria de moda rápida.

Por meio de técnicas de upcycling, Helena estabeleceu um percurso reflexivo acerca das diferentes etapas do processo construtivo da indumentária, enfatizando os exageros que marcam e se escondem ao longo do percurso de produção e consumo de uma peça.

Trabalho da ex-aluna da FAAP, Helena Kerr, será exposto na Brasil Eco Fashion Week

Temos aí um exemplo prático dos resultados positivos que a educação superior de Moda vem gerando no Brasil. A experiência da docência revela que de fato há preocupação por conta dos alunos e alunas quanto à urgente questão de repensarmos nossos hábitos de consumo. O papel do/a estilista mudou: além de se preocupar com seu processo criativo, precisa levar em consideração como seu produto irá impactar o meio em que vivemos.

 

Maíra Zimmermann e Monayna Pinheiro são professoras do curso de Design de Moda da FAAP