Por Ivan Bismara

O curso de Moda da FAAP, sempre procurando inovar, tem feito várias tentativas e pesquisas sobre moda sustentável, em especial sobre tingimento natural, uma forma de poluir menos o ambiente.

Processos sustentáveis de criação e coloração foi um dos temas discutidos durante o Fashion Day

No último mês de agosto, no Fashion Day, evento no qual trouxemos vários especialistas para conversar com os alunos, contamos com a presença da designer têxtil Leka Oliveira, do Studio InBlueBRAZIL, que trabalha junto com o Atelier Etno Bôtanica no desenvolvimento de processos sustentáveis de criação e coloração de vestuário têxtil, a partir de produtos oriundos da natureza, como a Anileira (indigosfera hirsuta) que produz o índigo; as argilas coloridas, óleos e resinas vegetais.

Explorar este segmento e procurar refletir sobre o modo de trabalho do setor é também função do curso de moda. Temos que nos posicionar para uma mudança futura de comportamento de consumo que começa a ocorrer e que novamente valoriza o que é feito a mão, de forma sustentável e tem uma relação justa de comércio.

Hoje, a maior preocupação é com a formação de pessoas que possam ser os agentes transformadores de uma cultura consumista e sem sentido. É preciso sempre estar em busca de uma produção têxtil correta, sem desperdícios, sem exploração de mão de obra, sem descarte de químicos de tingimento ou de lavagem  sem o seu devido cuidado com o meio ambiente.

Temos que começar, dentro da academia, uma revolução no pensar a Moda, levando em consideração duas questões fundamentais – é o segundo setor que mais emprega no Brasil e da necessidade de vestir com consciência ética, moral, social e ambiental. A transformação do mundo nos obriga a observar as tendências mundiais de posicionamento dos grandes conglomerados têxteis.

O criador, assim como o pesquisador, desenvolvedor, jornalista, entre outros profissionais ligados à moda, devem ser os porta-vozes de um novo posicionamento do mercado, tanto do consumidor como do produtor. O consumo excessivo só irá aumentar a ganância de tantos empresários em vender muito, mesmo que ninguém necessite de mais.

Portanto, o posicionamento das nossas discussões é que, na busca do equilíbrio entre produção e consumo, a consciência pelos produtos menos poluentes, construiremos uma relação sadia e duradoura a partir de mão de obra mais justa e do descarte consciente dos produtos têxteis. Desta forma atingiremos um patamar viável para continuarmos a exploração dos meios naturais do planeta de forma sustentável.

Ivan Bismara é coordenador do curso de Moda da FAAP