Estilista, que tem uma de suas produções em exposição, conversou com o público sobre processos de criação, da relação da moda com a arte, entre outros assuntos

Nome de peso da moda brasileira, Lino Villaventura abriu caminho para a moda autoral. O estilista nasceu no Pará, mas foi no Ceará que começou sua carreira, no início dos anos 1980. “Aconteceu. A moda não foi uma escolha. Ela veio para mim”, disse. Autodidata, utiliza muito volume, nervuras e texturas em suas produções, que se tornaram características, além do “feito à mão”.

Lino é multifacetado. Cria roupas femininas, às vezes masculinas, desenha figurinos para cinema e teatro – o último foi para “Nine – um musical felliniano”, de Charles Möeller e Claudio Botelho. Também já desenhou uma coleção de roupas para a boneca Barbie e participa do São Paulo Fashion Week desde 1996, quando ainda era Morumbi Fashion.

Algumas de suas produções também puderam ser vistas em museus. Lino participou da exposição “A Arte do Brasil em Beirute”, no Museu Sürsoak. No MAB-FAAP, seus vestidos já embelezaram a mostra “Moda no Brasil: criadores contemporâneos e memórias”, realizada em 2012; e atualmente “Moda no MAB – uma nova coleção no acervo”, que fica em cartaz até 1º de outubro. E, foi dentro da exposição que o estilista conversou com o público na última segunda-feira (11/9).

Lino falou sobre a relação da moda com a arte. “O trabalho autoral em moda expressa uma vontade e uma ideia, assim como uma obra de arte”, enfatiza. Boa parte de suas criações estão em um acervo mantido por ele e que já possui mais de 800 peças. Mas Lino lamenta o fato de muitas pessoas não entenderem o verdadeiro significado de acervo. “É a história do estilista e não pode ser considerada  ponta de estoque”, reforça.

Sobre suas criações, o artista disse que traz muitas influências do norte e do nordeste, o que dá brasilidade ao trabalho. “Somos resultado da nossa cultura”, disse. O estilista comentou que não costuma ver revistas e programas de moda porque quer ter liberdade e não ficar preso a algo que já está imposto.

Lino também falou sobre a crise que, segundo ele, tem de ser contornável. “Há algumas maneiras de se fazer com economia e continuar a oferecer um produto diferenciado, como consultar o estoque de tecidos ao invés de comprar novos. Só não podemos ficar reclamando o tempo todo. É o trabalho que dá resultado”, finaliza