Por Lorenzo Merlino

Foi realizada em agosto a SPFW (São Paulo Fashion Week) de número 44. São 22 anos de um evento que ajudou a escrever a moda brasileira. Isto é um fato indiscutível: organizou o calendário do setor têxtil, conjugou as expectativas das marcas e dos estilistas e estabeleceu parâmetros de trabalho.

Mas o formato clássico de desfiles de moda, criado há mais de meio século, tem validade no mundo contemporâneo? Por que continuar repetindo um modelo que foi concebido quando não havia televisão, celulares, internet e redes sociais?

Não é somente a moda brasileira que está em crise, mas todos os sistemas da moda internacional. E não somente os formatos de apresentação estão sendo repensados. O conceito do see now, buy now – que a SPFW tenta aqui adaptar sem muito planejamento ao já errático mercado têxtil brasileiro – surgiu como tentativa de modernização, mas ele não é a única investida.

Impressão 3D, internet das coisas, roupas bio-orgânicas, energy generating clothes são alguns dos tópicos que dominarão a maneira como se faz roupas nos anos a seguir. E se quisermos de fato nos inserirmos na moda mundial se faz necessário que em efeito avancemos na inovação e abracemos o século 21.

Lorenzo Merlino é estilista e professor do curso de Design de Moda da FAAP