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# Dizer tudo que se devia e se queria, com as vogais afogadas de lágrimas, e ouvir da amada o pedido: me diz tudo de novo, tudo.

# De tudo, do amor eterno que nós ousamos sonhar, restarão, se algo restar, alguns versos num caderno.

# Deixemos tudo passar. Que tola essa presunção de em tudo pormos a mão, de tudo modificar.

# Sobre a vida tudo li e sobre a morte li tudo. Se perguntam, fico mudo. Tudo que li esqueci.

# Quanto mais perto do fim, menos eu me conheço. De tudo agora me esqueço, tudo se esquece de mim.

# Tudo é irrisório, inconsistente, ilusório. Felizmente tudo é provisório.

# Já fez de tudo pelo amor, até se pôs de quatro – e não só no sentido figurado. Andou relinchando também, embora talvez sem o ímpeto e a verossimilhança ideais.

# O tempo não tardará. Com seus passos de veludo virá apagando tudo, e tudo nada será.

# Do amor já falamos tudo, chegamos a nos fartar. Falamos tudo e contudo ainda há tanto por falar.

# O amor no fim se desmente em tudo ou em quase tudo: ou peca no continente ou falha no conteúdo.

# Tudo que alegra (e o que dói) morre, cessa, finda, passa. Tudo a morte, essa infatigável traça, ataca, fere, rói, traça.

# O sentido das palavras depende de quem as pronuncia. Mario Quintana, mesmo quando queria dizer só algo, dizia sempre tudo, como se tudo fosse a única coisa que as palavras pudessem dizer.