Hipótese número um – Escreva que você é partidário da monarquia. E quando, depois de cinco segundos de um espantado silêncio, começarem a perguntar o quê???!!!, mantenha-se firme e digite que, se é para receber ordens de alguém, que seja de um rei, ora bolas. Uma boa frase para reforçar esse argumento é: “Melhor ser súdito do que ser cidadão!”

E, aproveitando a surpresa que isso há de causar, tecle: “Por sinal que nós já temos um rei. Não vamos ter nem o trabalho de escolher.”

A maioria vai entender logo. Os outros compreenderão quando você escrever: “O rei Roberto Carlos, Primeiro e Único.” Faça isso e depois me conte. Duvido que falhe. Já estou imaginando: milhares de curtidas e compartilhamentos.

Hipótese número dois – Escreva que só no Brasil, mesmo, alguém com aquela vozinha fanhosa, como Roberto Carlos, poderia ser considerado rei da canção.

Se demorarem a vir as respostas, diga que cantores de verdade, como foi Frank Sinatra, sempre foram capazes de estilhaçar taças de cristal com a garganta. E que Roberto Carlos, mesmo se cantasse em dueto com Tiririca, não conseguiria derrubar nem um mosquito.

E o repertório, pelo amor de Deus? Que suplício ouvir as canções lamurientas do “rei”. Uma ou outra é romântica, vá lá. E duas ou três são alegrinhas, mas isso no tempo em que ele era jovem, quinhentos anos atrás. Exponha isso com veemência, se possível com exemplos.

Se essa provocação não der certo, apele e entre sem hesitar nas contradições da carreira do “rei”: cite aquela música da defesa das baleias, que encantou uma geração, e depois a recente e vexaminosa publicidade da carne. E guarde para o final um ataque contundente, mais ou menos assim: “Esse é que é o rei de vocês? Olhem, isso me espanta. Ele é um cara, só um cara, sem coroa.”

Faça isso e depois me diga o que aconteceu, se é que você terá tempo, depois de dar resposta aos cento e quarenta e três mil duzentos e cinquenta e quatro desaforos.

Se essas duas hipóteses falharem, será preciso encontrar outro jeito. O que fazer?  Essa é a situação. É cada dia mais difícil atingir a celebridade nas redes sociais. E a celebridade – sabemos todos nós – é o pão nosso de cada dia. Um homem – ou uma mulher – vale pela quantidade de amigos (ou inimigos) no face e pelas citações que tem no google.

Como são abençoados aqueles que se chamam João Silva ou Joana Dias. É teclar e ver aquele numerão enorme, imenso, cobiçável. Quando alguém lhes diz que 99,99%, ou mais, são homônimos, João Silva e Joana Dias armam aquela cara de desdém: é pura inveja de quem diz.