O amor vive a era dos selfies. Em dez segundos um casal de enamorados posta pelo menos uma dúzia deles nas redes. Para que palavras, com esses sorrisos que escancaram nossa boca, como se fôssemos uma loja em liquidação? Era verdade aquilo que sempre nos disseram: uma imagem vale por mil palavras. Uma imagem de dois seres mutuamente apaixonados vale por duas mil.

Falei em era dos selfies e cometi uma injustiça. Na verdade, estamos na era dos paus de selfie, esses acessórios que se transformaram em essenciais. Meu amor, eu e o pau de selfie (rs) aqui. Meu amor, eu e o pau de selfie (rs) ali. Meu amor, eu e o pau de selfie (rs) acolá.

É preciso reconhecer. As curtidas continuam naquela mesmice do polegar erguido, mas os comentários estão bem mais interessantes e, neles, são os paus de selfie que dominam: o que é isso, meu Jesus? Onde vocês dois arranjaram essa coisa? Parece o poste aqui da minha esquina. Que mania de grandeza. Esse pau de selfie não é a cara do Seixas, aquele terceiro marido da Rute? É aquela história, tem o símbolo fálico e o símbolo fálhico. Esse aí é o fálhico (rsrsrs). 

Uma estatística ainda não concluída indica que a alteração de perfis cresceu 12,4% com a chegada dos selfies e seus respectivos paus. Sabendo-se que alterar o perfil é o maior xodó das redes, os selfies já têm, como se diz,  seu lugar assegurado na história. E também os paus de selfie, que parecem estar longe de esgotar seu repertório.

Por exemplo, ainda não vi uma pirâmide de acrobatas chineses e, no topo, pendurada no pescoço de um deles, uma loura, talvez a Madonna, segurando nos dentes o celular, enquanto, montado em suas costas, um macaco a despenteia.

Ou uma pirâmide formada por vinte clones da Madonna e, no topo, um acrobata chinês nas costas de quem está sentado um macaco que abre uma banana dentro da qual há um celular. O quê? Vocês já viram esse? No google? Ah, é? Sério? O que ainda falta inventarem…