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Mando-te um abraço abatido, frouxo, melancólico, um abraço cheio de uma saudade que eu só poderia mandar numa carta, um abraço ressentido contra as simplificações da internet.

Um abraço decadentista, ultrapassado, um abraço de quem não aceitou nem foi aceito pela modernidade e que, voltando à canetinha bic, ao papel e ao envelope, sabe que se expõe à chacota, como se fosse um troglodita urrando na esquina da Paulista com a Consolação ou um dinossauro pondo a correr os caminhantes do Parque do Ibirapuera.

Um abraço de quem não tem jeito para ficar dizendo que curtiu isso ou aquilo, um abraço de um ser que não se dá bem com as redes sociais e não precisa, nem quer, ter mais do que dois ou três amigos, de preferência um só.

Um abraço de quem sorri pouco mas quer saber para quem sorri, um abraço de quem quer olhar para quem sorri.

Um abraço de quem, tendo procurado a vida inteira uma linguagem, não consegue adaptar-se a essa que anda por aí, feita de coraçõezinhos desenhados, de rs, bjs e abs.

Um abraço de quem, se depender dos meios modernos, prefere morrer sozinho, com a barba crescendo em volta dos pés.

Um abraço de um cara triste, muito triste, que pretende contar essa tristeza para a pessoa certa, não para trezentos e oitenta ou quatrocentos e vinte desconhecidos virtuais.

Alguém aí?