Faz parte do desenvolvimento integral das crianças o seu enriquecimento cultural. Quando elas recebem estímulos intelectuais de qualidade, como, por exemplo, imagens de quadros dos gênios da pintura ou audições musicais de compositores modelos, passam a desenvolver o gosto pelo belo, pelas artes, pela música e literatura clássicas.

Infelizmente, nossos filhos, muitas vezes, são privados da cultura e de conhecimentos transcendentes; recebem muito menos do que necessitam e aspiram. Por um lado, muitos pais subestimam o grande potencial de aprendizado dos filhos e, por outro, a cultura não está na moda. Ela está sendo bombardeada por duas correntes ideológicas extremamente malignas: o consumismo e relativismo.

Deleitar-se com Mozart e Shakespeare não é lucrativo. A eles não se aplicam mais direitos autorais e na lógica consumista, estudar e  aprofundar-se nos conhecimentos das grandes humanidades como filosofia, literatura, antropologia, artes, música e religião não têm valor econômico. Reina uma mentalidade pela qual os filhos precisam estudar matemática, física, química, ciências e outras que parecem mais promissoras em dar um retorno financeiro. As crianças estudarem filosofia, dedicarem-se às artes, ao simples brincar, muitas vezes, é visto pelos pais e educadores como perda de tempo.

Relativismo

Uma segunda causa da pobre cultura em nossa sociedade é o relativismo no qual não existe nada melhor ou pior, nada mais bonito ou feio, certo ou errado. Tanto faz escutar funk como Heitor Villa Lobos. Qualquer coisa é considerada obra de arte.

O relativismo acaba com o valor das coisas, a motivação em aprender nos jovens e gera um vazio: vazio cultural e também existencial. Tanto faz ser honesto ou não, todas as religiões são iguais (portanto, o melhor é não ter religião, ser ateu). Também, em um ambiente relativista, não faz sentido debater ideias e estudar porque não existem mais critérios de valor ou lógica universalmente aceitos. Acaba o verdadeiro diálogo entre as pessoas, uma vez que o diálogo justamente pressupõe a intenção de se desvendar algo da verdade. Cada pessoa acaba ficando isolada em seus próprios “achismos” e vai ficando cada vez mais distante da realidade, da verdade e beleza.

Imersão Cultural

Em função deste panorama é importante proporcionarmos a nossos filhos uma imersão cultural desde pequenos, fase de ouro para o desenvolvimento da estética, da “finesse”, do bom gosto e discernimento da qualidade das belezas artísticas e humanas.

Algumas dicas práticas:

– oferecer uma ampla gama de opções de excelentes livros e filmes, por faixa etária e para serem assistidos em família;

– oferecer atividades culturais como concertos, musicais, museus e passeios para crianças;

– informar-se sobre sites que indicam a qualidade dos livros e filmes;

– montar um horário de estudos para cada filho e também das atividades diárias, pois ter rotina é fundamental. O mais importante é a qualidade e constância (frequência diária) das atividades. É mais benéfico fazer lição de casa todos os dias durante 30 minutos, do que fazer 3 horas no fim de semana;

– nesse horário incluir no mínimo 20 minutos diários de leitura extraescolar;

– colocar um horário para meditar;

– incluir um tempo de conversa em família;

– restringir o uso de celulares, computadores e jogos digitais.

Quando os filhos recebem estímulos culturais, também se desenvolvem no aspecto moral, porque o que é belo é um bem e o bem é belo. À medida que são alimentados por informações de qualidade e desenvolvem seus sentidos estéticos e de sensibilidade, aprendem a captar e a diferenciar a qualidade artística e humana. Ficam tão motivados com as satisfações geradas, com os sentimentos de fruição, que entram em um “looping” positivo de interesse e crescimento cultural. Naturalmente, passam a apreciar livros e obras culturais cada vez mais ricas e profundas.

É um grande presente que podemos deixar para nossos filhos!

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