A cara que o meu cachorro faz quando eu saio de casa.
A bateria do celular quase descarregada.
E o copo quebrado de ontem.
Quantas armadilhas reservadas pra esse dia ?
Queria ter a ironia de um herói da Marvel.
A frieza de um robô na hora do pênalti.
Mas tudo que respira treme.
Os medos vão se empilhando como revistas velhas.
Medo de atravessar a rua no vermelho, de torcer o pé no bueiro, de não ter grana para quitar os boletos, de broxar, de rir primeiro, do rejunte pintando fantasmas no meu azulejo, do exame derradeiro, de ser um inocente no meio do tiroteio…
De intimidade.
De dar bom dia, de ter outro dia, de deixar de ser essa boneco de cera distraído e abstrato.
É tão confortável ser abstrato.
Ainda finjo ter 20 anos.
É patético, eu sei.
Não me ame demais.
Ou nem um pouquinho.