Nossa fragilidade explícita
Sem cortes e escancarada
Para quem quiser ver
Nosso peito aberto
Em franco desespero
Alma de joelhos
Onde somos tão pequenos
E iguais
E finitos
Trapos
Desamparados
Não nos hospitais
Maternidades
Ou velórios
Mas lá…
Em outro lugar
Por vezes chamado de
“Assistência técnica de celular”.
Por favor, faça por ele
Como se fosse por mim
Pago o que for preciso
Mas salve esse smartphone
Ressuscita e Ressuscita-me
Mas não demore 3 dias
Não vou suportar
Tenho uma fila de “bom dias” para responder
E também uso para trabalhar
Vamos lá!
Troque do peito essa bateria
O visor
E o que mais for preciso
Limpe, assopre, opere um milagre…
Não me olhe assim tão estranho
Sou capaz de revelar os segredos de Maria
Mas não espalhe meus nudes por aí