Alertado por uma amiga, decidi republicar um texto do meu antigo blog (na verdade dois textos). Espero que vocês de divirtam e que essa luta não seja em vão.

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PART. 1

Neste momento de turbulência política, estética, artística e emocional, voltei a erguer  a bandeira de uma causa. Não podemos mais assistir à agonia triste de uma instituição que já fez muita gente feliz. Sim, companheiros, estou falando dos “casinhos”.

Ninguém mais vive um casinho. Está todo mundo perdidamente apaixonado por alguém ou simplesmente transando sem nenhuma conexão. Estamos vivendo um 8 ou 80 apocalíptico e deixando passar a experiência reconfortante de um casinho.

– Você está namorando com ela (ele) ?
– Não.
– Ah, então você só está pegando?
– Não, não…
– Então o que é isso?
– Nós estamos tendo um casinho!!!

Ora, caros, um casinho é a coisa mais linda, uma quase amizade, um flerte contínuo com sexo feliz. Ter um casinho é ter uma janela aberta no quarto escuro do nosso peito, é um ventilador no teto dos nossos quartos abafados, é uma fresta para um paraíso onde se pode (deve) morder a maçã, é um acordo tácito pela leveza, pelo humor e por um tipo de amor sem bagagem, sem tralhas ou contas para pagar.

Ter um casinho é ser íntimo sem ser ÍNTIMO, é estar perto sem estar colado, é atender os apelos do outro pelo prazer de atender – não para cumprir as cláusulas de um contrato caduco. Não raro, o casinho é melhor do que o amor.

Quase sempre é bem melhor do que aquilo que enchemos a boca para chamar de RELACIONAMENTO. Os casinhos são elevados, trata-se de uma vivência nórdica, coisa de país desenvolvido. Ter um casinho nos transforma em noruegueses.

O casinho é o bônus da amizade, o casinho é o desapego cristão com muito mais charme, o casinho é um pacto sem sangue, o casinho é a garantia de calor mesmo debaixo da neve, o casinho é aquilo que nos salva do sofá, nos salva dos domingos, da Netflix, da novela das 21h, do jornal da madrugada.
Um casinho é o oxigênio que nos mantém em pé.

Nem falo em casinho entre pessoas já comprometidas. Quem quiser que entre nessa. Nada contra. Mas o casinho mais relax, o casinho de raiz, o casinho nagô é o casinho entre solteiros. Coisa fina. Chuchu beleza. Tomate maravilha.

Vamos criar o movimento MPVC – MOVIMENTO PELA VOLTA DO CASINHO.

Vamos pra rua, vamos enfrentar a PM, vamos nos mascarar feito Black Blocs do aconchego sexual. Vamos nos ligar, vamos combinar, vamos marcar, vamos ter essa vida extra, vamos consumar o nosso inevitável casinho.

PART. 2

A campanha pela volta dos casinhos, o crowdfunding do amor que não cobra pedágio, continua cada vez mais forte.

Depois do primeiro texto\chamado, pequenos focos de resistência começaram a pipocar por todo o Brasil.

Frases como “Eu Quero Um Casinho”, “Vamos Ter Um Casinho”, “O Casinho É Importante, Porra”; “Mais Casinhos, Por Favor” já estão estampadas em camisetas, pichadas em muros brancos e na boca dos formadores de opinião.

Se você quer contribuir com essa campanha, não envie dinheiro, não deposite na minha conta e não assine documento nenhum. Se quer ajudar, espalhe a ideia, converse com os amigos e tenha você mesmo um casinho.
A campanha precisa de mártires. É hora de se perguntar: “com quem eu posso ter um casinho hoje”?

Perguntas mais comuns:

Como faço para ter meu próprio casinho?
O casinho é uma construção. É algo que não se declara publicamente. Um casinho é sempre subentendido. Acontece naturalmente. Um belo dia, você vai acordar, se olhar no espelho, e entender que a vida lhe deu esse presente lindo, um casinho.

Ter um casinho é seguro?
Viver é perigoso. Ninguém tem certeza de nada. O maior perigo é morrer de bobeira – sem nunca ter aproveitado o abraço quente de um casinho. Diria que ter um casinho é tão arriscado como andar de bicicleta em São Paulo. Tem perigo? Tem. É gostoso? É.

Só posso ter um casinho por vez?
Não. Casinho não é relacionamento. Você pode espalhar os seus casinhos em diversos ambientes (trabalho, faculdade, vizinhança…). Convém, claro, não mentir para ninguém. O casinho clássico não traz nenhuma etiqueta de exclusividade. Você pode, sim, ter outros casinhos. Óbvio, os seus casinhos também podem ter os seus próprios casinhos. Assim, que beleza, cria-se uma corrente de amor e alegria.

Posso me apaixonar por um casinho?
Sempre nos apaixonamos por nossos casinhos. A questão é: agora só quero ficar com esse casinho? Se você sentir que seu casinho é amor, tudo bem. Apenas acerte suas mensalidades atrasadas e devolva a carteirinha do clube.

Como terminar um casinho?
Não seja grosso (a), tenha respeito, delicadeza e deixa que o seu casinho se dissolva naturalmente. Casinhos morrem se não são regados regularmente.

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Que tal uma concentração no MASP (para o pessoal de São Paulo)? Crie um comitê na sua cidade, faça barulho e tenha um casinho feliz.
Se a polícia reclamar, se o governador proibir, vamos acionar organismos internacionais. Vamos criar @, #, textão de Face e Twitter. Que tal escrever um hino? Vamos juntos pela causa dos casinhos. Chegou a nossa vez.
Movimento Pela Volta dos Casinhos (MPVC)