Quando ela disse que iria me amar pra sempre quase tive uma sincope. Ri tanto que o botão da calça me escapou. Tadinha, pra sempre seria uma tarefa impossível – até pro amor que nós dois presumíamos.
A medida do tempo do amor é o minuto. Te amo Às 9h45. Depois, não sei.
O cabelo cresce, a barba também, o humor muda e, veja só, amor, são tantas ruas. Tanta gente pra quem se diz bom dia, tanto troco passando de mão em mão, tanta vida descendo a ladeira sozinha ou precisando de um empurrão.
Com a faca do pra sempre no pescoço, digo logo: vá em frente! Arranque esse escalpo, me faça de enfeite. Mas, nem tente, até a ferrugem me faria diferente.
Do amor, espera-se o anúncio, o tijolinho de jornal ou o lambe-lambe no poste da Eletropaulo: “faz-se carreto!”
O cara que aqui jaz não foi o mesmo que tombou na guerra, que levou um teco ou teve febre amarela. Os mortos mudam de ideia antes de adubarem a terra.
No mais, não te quero quadro.
Monalisa já deu no saco.