Alaor não vai ver os Vingadores. Tem fobia de herói. Diagnosticado. Qualquer referência aos mascarados e o corpo começa a ficar destrambelhado. Tremores generalizados. Sentimento de morte. Beco sem saída.
Todo mundo falando bem dos Vingadores e Alaor evitando entrar na internet, almoçar com amigos ou sair de casa.
Deve ser trauma de infância – alerta ou doutor e o dono do armazém. Talvez se começasse pelos quadrinhos…
Mas Alaor já tentou. Sentiu-se sufocado, como se tivesse tendo o pescoço apertado pelo próprio Hulk. Ou esmagado pelo martelo fálico do Deus Thor.
Alaor não vai ver os Vingadores. Vai esperar uma versão pornô. Daí não tem fobia, engraçado.
Alaor ouviu dizer que o filme é bom, que é obrigatório, que sua vida nesse planeta não tem o menor sentido se ele não assistir Os Vingadores no cinema.
Também Já disseram que Os Vingadores cura qualquer merda, tipo dor de amor, cólica, gases, broxidão, bruxismo e fome.
Até parou na frente do cinema, mas sentiu que iria desmaiar caso entrasse na fila do bilhete.
Saiu correndo.
Tropeçou em uma falha da calçada e se esborrachou no chão. Juntou gente pra ver se tinha machucado.
Um homem de ferro que segurava uma placa de “compro ouro” abriu espaço entre os curiosos e perguntou se estava tudo bem. Um Capitão América que emprestava dinheiro por juros irrisórios e sem necessidade de comprovação de renda perguntou se era melhor chamar o Samu. A Mulher Maravilha que promovia uma queima de estoque na loja de móveis populares perguntou se ele queria um copo d’água. O He-Man da assistência técnica de eletro eletrônicos fez uma oração.
Alaor quase morreu. Quase.
Mas Alaor é filho de Thanos.
Ser supremo e guardião das jóias do infinito.
Imortal.
Um dia ele vai acabar com essa palhaçada de uma vez por todas.