As folhas secas das árvores caem e batem levemente na janela, chamando a atenção dElla, que esta sentada no tapete no centro da sala, esperando e pensando.

Levanta-se vai até a janela e o vê chegando a sua casa. Lembra-se, quantas vezes mentalizou e sonhou com esta imagem e agora é real. Ella sorri e seus olhos brilham, deixando cair uma pequena lágrima de felicidade.

Mas nem sempre foi assim, lágrimas de felicidade.
Houve um longo inverno, passou frio sem seus braços. E no verão viu seus sonhos e desejos se desmoronarem como castelos de areia. A cada passo que Elle se distanciava dElla.
Sofreu, vendo outras tocarem sua face e beijar-lhe a boca. Temia nunca ser real que Elle a enxergasse e sentisse seu amor.

Elle é o tipo de homem que encanta, com seu olhar de menino sempre brilhante e um sorriso que é cheio de palavras (nunca ditas).
Quando olha nos olhos dElla, não precisa de mais nada. Só um pouco de ar, pois lhe falta. E também algumas palavras, por que Ella as perde por completo, na presença dElle.

Ella é uma mulher, mas também uma menina, quando se trata de sentimentos. É doce, gentil, exala felicidade.
E é leve, sempre leve em tudo que faz.

O dia que Elle passou a existir pra Ella, queria também existir no mundo dElle. E ficou meses pensando em como fazer isto.
Quando enfim decidiu, se aproximou dElle e lhe deu sorrisos, olhares e sem querer, sem perceber, também deu coração. Junto com o cartão no envelope. Deve ter se confundido, estava tão nervosa e com tantas coisas na mão, que lhe entregou seu coração.

Meses, dias, horas se passavam, mas nada acontecia. Ella foi sutil, foi sensual, foi romântica, foi jogadora e quase desistiu. No tudo ou nada, Ella o conquistou.Com tudo que tinha direito, velas, flores, aromas, óleos, meia-luz, massagens, banhos, suor, beijos e muito desejo.
No primeiro instante tudo sem compromisso, sem hora pra chegar ou sair, mas tudo com muita dedicação e respeito mútuo.

Não foi fácil, não foi simples, mas foi o inicio de noites e dias sem igual, de amor sem igual e de sorrisos jamais vistos em outros rostos. De idas a sua casa, a sua família, a sua vida e pra sempre no seu coração.

A porta se abre (Elle tem a chave), entra e a vê na janela ainda olhando as folhas caírem até o chão.
É Outono, sua estação preferida e o único tipo de meio-termo no mundo, que Ella aceita e é feliz.

Novas crônicas toda quarta-feira.

Leia também: