Jonathan Emmanuel Flores Tarello/Creative Commons

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Ella se apaixonou. E lutou contra si mesma por muito tempo. Não assumia. Depois se entregou.

Elle não se entregou. Vinha de um relacionamento de ilusão, doente, triste… foi traído e sofria muito. Mas demonstrava ser o mais forte que podia, na frente dElla.

Ella se dividiu, se multiplicou, se subtraiu, só queria estar ao lado dElle, por mais tempo. Fez tudo que acreditava ser o melhor pra Elle. Sentiu e viveu intensamente todas as boas e más sensações, que uma convivência destas, pode ter. Flutuou levemente, sonhou, provou de uma ansiedade intensa, de um desejo imenso, saudade infinita. E por fim, o peso de não ser correspondida.
Guardou fragmentos, silêncios, dor, enxugou suas próprias lágrimas.
Sofreu e esteve a beira do caos.
Mas decidiu seguir em frente. “Vida que segue” – Elle diria.
Demorou muitos meses, mas finalmente Ella conseguiu.
Certa manhã, Ella encontrou sem querer, uma conversa que tivera com Elle, por e-mail, que ficou sem resposta. Sua vontade era ligar pra Elle e dizer: “O que houve? O que aconteceu no meio do caminho?”. Havia dor (do passado), havia sorrisos (presente), havia confiança, por vezes, dividiram mais que uma cama (muito mais). Mas a única coisa que fez, foi excluir o e-mail e numa busca louca, excluir tudo dElle de sua vida. Fotos, mensagens de voz, músicas, lembranças de suas longas conversas, do cheiro da sua pele, do seu raro riso e daquele olhar que os uniram, uma vez.
Decidiu enfim, deixar pra trás tudo que a entristece e esquecer, de quem nunca se lembra dElla.
Desfez de laços, de abraços de tristezas e sentiu uma nova brisa, um ar fresco entrar em sua vida.
Colocou tudo, todas as lembranças em uma caixa e as queimou, restando apenas cinzas.