Há um ano prometi que teria uma dieta mais saudável. Não queria – necessariamente – emagrecer, mas tentar firmar hábitos alimentares que já vinha ensaiando há tempos. Resolvi então fazer um experimento público, relatando aqui as vitórias, derrotas, principais armadilhas e dificuldades, e também as soluções que encontrasse.

Ao longo do ano aprendi várias coisas, que dividi com os leitores:

  • Não existe dieta ideal – não há consenso científico sobre uma dieta específica que seja ideal para o ser humano.
  • Existe dieta ideal – calma, não é contraditório. Não existe uma dieta específica que seja perfeita, mas todas as evidências científicas indicam o que é uma dieta saudável de forma geral. Coincidentemente, é aquela que nossas avós já recomendavam: mais frutas e legumes, menos açúcar e farinha.
  • Qualquer coisa que se chame detox é enganação.
  • É muito difícil manter restrições – a alimentação é muito mais do que a comida; é um ritual, uma forma de se relacionar, recebe grandes influências do nosso meio, tanto de amigos próximos como da sociedade inteira. Qualquer dieta restritiva (elimine isso ou aquilo) tende ao fracasso.
  • É impossível resistir às tentações – no longo prazo, estar constantemente diante do alimento que se pretende evitar é fatal. A melhor coisa a fazer é facilitar ao máximo o acesso ao que for saudável (frutas, legumes, grãos integrais), dificultando (a ponto de não comprar) o acesso ao que não for saudável (farinha, açúcar, carboidratos simples).
  • Prepare-se para recaída – se a gente se propõe a seguir qualquer regra alimentar totalmente à risca, construímos uma autoimagem de perfeita obediência. Quando vem uma recaída (e elas vêm), essa autoimagem é destruída e, pior, substituída por uma de alguém que não consegue fazer nada direito. Corre-se então o risco de cair no efeito “dane-se”: já que não faço certo, não vou fazer nada, e exagera-se para o lado oposto.

E esse último ponto creio que seja uma boa mensagem de fim de ano. O economista comportamental Dan Ariely, já citado aqui mais de uma vez, que me apresentou esse conceito do “efeito dane-se”. As atitudes que assumimos influenciam a imagem que construímos de nós mesmos momento a momento. Por exemplo, num dos experimentos que ele fez, voluntários recebiam um óculos de grife genuíno ou falsificado para usar durante um teste. Ele constatou que aqueles com os óculos falsos trapaceavam mais nos testes do que os outros. Replicou esses resultados em vários cenários, e criou essa hipótese: se nos vemos como alguém que faz determinado tipo de coisa, tendemos a fazer mais essa coisa. Então, se nos vemos como alguém que não consegue seguir uma dieta saudável, tendemos a abandonar tudo de uma vez.

Mas não precisa ser assim. Se tivermos em mente que somos imperfeitos mesmo, que é normal o caminho ser feito de tropeçar e levantar, podemos criar uma autoimagem de alguém que, se não é perfeito, está pelo menos tentando.

Feliz ano novo a todos, e que 2017 seja um ano de seguir em frente, mesmo que aos trancos e barrancos.